A CONDIÇÃO HUMANA EM BLAISE PASCAL
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260255p7Palavras-chave:
Condição humana, Blaise Pascal, TeologiaResumo
A monografia analisa a visão de Blaise Pascal sobre a condição humana, que se opõe ao otimismo racionalista do século XVII. Para Pascal, o ser humano é um ser miserável, vazio e infeliz devido ao pecado original, uma doutrina central influenciada por Santo Agostinho e o Jansenismo. Essa miséria leva o homem a buscar o divertimento (divertissement), que é a fuga e a distração constante para evitar encarar o seu nada e o vazio interior. Embora seja o mais fraco da natureza, o homem é um caniço pensante, nobre por ter consciência de sua própria fragilidade. A solução final para a angústia e o vazio existencial não reside na razão, mas sim na graça divina e na fé em Jesus Cristo, que preenche o vazio e restaura o sentido da vida.
A monografia "A Condição Humana em Blaise Pascal" explora a antropologia do filósofo francês, que se destaca no século XVII por sua visão pessimista e teológica da natureza humana, em contraste com o racionalismo de sua época. O estudo se baseia na premissa de que o ser humano, originalmente perfeito, tornou-se impotente, miserável e infeliz após a Queda (pecado original), que é o princípio hermenêutico para decifrar as contrariedades humanas.
O texto detalha o conceito de pecado em Pascal, fortemente influenciado por Santo Agostinho e pelo Jansenismo. O pecado original é visto como um ato de rebelião por orgulho e amor-próprio, que corrompeu a natureza humana e mergulhou toda a humanidade em um estado de escravidão espiritual e degeneração. Para Pascal, essa doutrina, embora um mistério para a razão, é a chave para entender a universalidade do mal, da angústia e do vazio existencial.
A condição humana é marcada pela incoerência trágica e pela angústia. O homem é a "escória do universo" em sua pequenez, mas carrega o paradoxo de ser um caniço pensante: o mais fraco da natureza, mas superior ao universo que o esmaga, pois tem consciência de sua miséria.
Diante do vazio interior insuportável (ennui), o homem recorre ao divertimento (divertissement). Este é um subterfúgio, uma fuga constante em atividades (trabalho, negócios, jogos) para desviar o olhar de si mesmo e evitar o tédio e o desespero que surgem ao encarar sua própria insuficiência e precariedade. O divertimento não é uma solução, mas um paliativo que não altera a condição negativa do ser.
A solução final para o homem perdido, vazio e miserável, está no Evangelho da Graça. O vazio humano é do "tamanho de Deus" e só pode ser preenchido pela fé em Jesus Cristo. A Redenção em Cristo restaura o sentido da vida, oferece esperança e permite que o indivíduo encontre paz e significado ao olhar para si, superando a necessidade constante de fuga e distração. A fé, portanto, é o único caminho para a regeneração e para a compreensão plena do paradoxo humano.

