MANEJO AVANÇADO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL RESISTENTE: DA FENOTIPAGEM CLÍNICA ÀS INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS ATUAIS
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p261Palavras-chave:
Hipertensão resistente, Risco cardiovascular, Aldosterona, Denervação renal, PseudorresistênciaResumo
A hipertensão arterial resistente (HAR) representa hoje um dos maiores desafios da prática cardiológica, exigindo uma transição necessária da abordagem prescritiva convencional para um modelo de medicina de precisão multidisciplinar. Definida clinicamente pela persistência de níveis pressóricos elevados a despeito do uso otimizado de três ou mais classes farmacológicas em doses máximas — incluindo obrigatoriamente um bloqueador do sistema renina-angiotensina, um bloqueador dos canais de cálcio e um diurético — essa condição impõe ao sistema cardiovascular um estresse hidrodinâmico contínuo que acelera drasticamente as lesões em órgãos-alvo e aumenta o risco de eventos isquêmicos e insuficiência renal. A complexidade do manejo começa na distinção entre a resistência verdadeira e a pseudorresistência, fenômeno frequentemente alimentado pela má adesão terapêutica, técnica de aferição inadequada ou pelo efeito do avental branco, cuja exclusão por meio de monitoração ambulatorial (MAPA) é necessária para evitar o escalonamento desnecessário de medicamentos. No contexto biológico da HAR, observa-se uma desregulação profunda caracterizada pela hiperatividade tônica do sistema nervoso simpático e pela ativação persistente do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Um dos mecanismos mais críticos é o fenômeno do escape de aldosterona, que resulta em sobrecarga volêmica subclínica e inflamação vascular, tornando a espironolactona a base da terapia de quarta linha. Evidências do estudo PATHWAY-2 consolidaram o antagonismo dos receptores mineralocorticoides como a estratégia superior para normalizar o balanço hídrico e reduzir a atividade simpática reflexa nesse fenótipo. Além disso, o diagnóstico de causas secundárias, como o hiperaldosteronismo primário e a apneia obstrutiva do sono, é considerado uma das principais estratégias clínicas para reverter a refratariedade. Paralelamente ao avanço farmacológico, que destaca o uso de diuréticos de longa duração como a clortalidona em detrimento da hidroclorotiazida, surgem métodos intervencionistas promissores. A denervação renal por cateter, validada por ensaios como SPYRAL HTN e RADIANCE, oferece uma alternativa mecânica segura para a modulação neuro-hormonal sustentada. O sucesso no controle da HAR também consiste em mudanças no estilo de vida — como a dieta DASH e a restrição sódica — visando, com isso, assegurar a proteção cardiovascular e a longevidade em indivíduos de alto risco.

