VALVA AÓRTICA BICÚSPIDE: FENOTIPAGEM ANATÔMICA, PROGRESSÃO VALVAR E RISCO AÓRTICO ASSOCIADO

Autores

  • Claudina Mendes Horevicht
  • Ana Paula Gillet Angioni
  • Célio Vilar Cabral Filho
  • Gerson Barbosa
  • Ludmilla de Melo Ribeiro
  • Rafael Fonseca Marão
  • Vanessa Sampaio Cardoso da Cunha
  • Thiago Rabello Santos

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1299

Palavras-chave:

Valva aórtica bicúspide, Aortopatia, Estenose aórtica, Insuficiência aórtica, Aorta ascendente

Resumo

A valva aórtica bicúspide é a anomalia congênita valvar mais frequente da prática cardiovascular e apresenta grande heterogeneidade anatômica, funcional e evolutiva. Sua relevância clínica vai muito além da constatação morfológica de uma valva com duas cúspides funcionais. Ao longo do tempo, pode associar-se a estenose aórtica precoce, insuficiência aórtica, endocardite infecciosa e dilatação da aorta proximal em graus variáveis. Por isso, deixou de ser interpretada como simples anomalia anatômica isolada e passou a ser entendida como síndrome valvo-aórtica, conceito que reorganiza a forma de acompanhar, estratificar e tratar esses pacientes.

A expressão clínica é extremamente variável. Alguns indivíduos permanecem assintomáticos por décadas e têm o diagnóstico feito de maneira incidental, durante a investigação de um sopro ou a realização de ecocardiograma por outro motivo. Outros evoluem com calcificação acelerada, estenose valvar em idade mais precoce do que a observada na degeneração tricúspide habitual, insuficiência aórtica importante ou aortopatia progressiva. A mesma alteração de base, portanto, pode produzir trajetórias clínicas muito diferentes, o que exige acompanhamento longitudinal e individualizado.

Essa diversidade decorre da interação entre anatomia cuspídea, padrão de fluxo transvalvar, estresse hemodinâmico e possível vulnerabilidade intrínseca da parede aórtica. Em termos práticos, isso significa que o paciente com valva aórtica bicúspide não deve ser seguido apenas pelo grau de valvopatia.

É preciso compreender também a morfologia da fusão cuspídea, o segmento da aorta acometido, a velocidade de progressão da dilatação e o contexto familiar. Este capítulo revisa os fundamentos anatômicos, fisiopatológicos e clínicos da valva aórtica bicúspide, com ênfase na progressão valvar, no risco aórtico associado e nas estratégias contemporâneas de seguimento e tomada de decisão.

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Publicado

2026-07-02

Como Citar

Horevicht, C. M. ., Angioni, A. P. G. ., Cabral Filho, C. V. ., Barbosa, G. ., Ribeiro, L. de M. ., Marão, R. F. ., Cunha, V. S. C. da ., & Santos, T. R. . (2026). VALVA AÓRTICA BICÚSPIDE: FENOTIPAGEM ANATÔMICA, PROGRESSÃO VALVAR E RISCO AÓRTICO ASSOCIADO. Epitaya E-Books, 1(133), 1299-1304. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1299

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