MORTE NA PEDIATRIA: UMA REVISÃO SOBRE OS EFEITOS PSICOLÓGICOS DA PERDA DE UM FILHO NAS FAMÍLIAS
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260538p54Palavras-chave:
Morte, Pediatria, Luto parental, Saúde mental, FamíliaResumo
A morte de uma criança constitui uma das experiências mais devastadoras para as famílias, produzindo repercussões emocionais, psicológicas e sociais que podem persistir por longos períodos. Este capítulo tem como objetivo discutir os efeitos psicológicos da perda de um filho sobre seus familiares, sintetizando as evidências disponíveis acerca dos fatores associados ao sofrimento psíquico, dos elementos protetores envolvidos no processo de luto e das estratégias de cuidado descritas na literatura. Trata-se de uma revisão de escopo, realizada a partir de buscas nas bases PubMed, LILACS, SciELO e Quest, em agosto de 2025. Foram identificados 325 estudos, dos quais 16 atenderam aos critérios de elegibilidade e compuseram a síntese da revisão. Os estudos demonstraram que a morte de uma criança está associada ao aumento da ocorrência de depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e luto prolongado entre os pais. Fatores como vulnerabilidade socioeconômica, ausência de preparo psíquico antes da morte, comunicação inadequada e insuficiência de apoio psicossocial intensificam o sofrimento, enquanto o luto antecipatório, o suporte social, a comunicação empática e as intervenções precoces favorecem uma adaptação melhor à perda. Apesar do crescente interesse científico pelo tema, persistem lacunas na implementação de programas estruturados de acompanhamento às famílias enlutadas. Conclui-se que o cuidado às famílias deve integrar a assistência pediátrica, desde o diagnóstico de doenças ameaçadoras da vida até o período posterior ao óbito, fundamentando-se em práticas humanizadas, comunicação qualificada e suporte psicossocial contínuo.

