COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS E PACIENTES COM OBESIDADE MÓRBIDA: DESAFIOS DA PRÁTICA CLÍNICA
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20250156p205Palavras-chave:
COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS, OBESIDADE MÓRBIDA, PRÁTICA CLÍNICAResumo
A obesidade mo?rbida e? uma condic?a?o cro?nica, complexa e multifatorial, caracterizada por um i?ndice de massa corporal (IMC) superior a 40 kg/m2. Trata-se de um problema de sau?de pu?blica mundial, com taxas crescentes nas u?ltimas de?cadas. No Brasil, segundo dados do Ministe?rio da Sau?de (2023), mais de 20% da populac?a?o adulta apresenta algum grau de obesidade, e uma parcela significativa encontra-se em esta?gios mais graves. Essa condic?a?o esta? fortemente associada a comorbidades como hipertensa?o arterial siste?mica, diabetes mellitus tipo 2, apneia obstrutiva do sono, dislipidemias e doenc?as cardiovasculares. No contexto hospitalar, a obesidade mo?rbida impo?e desafios na?o apenas na rotina cli?nica, mas, sobretudo, na assiste?ncia perioperato?ria, demandando atenc?a?o redobrada da equipe multiprofissional. Desenvolvimento: Os pacientes com obesidade mo?rbida apresentam alterac?o?es fisiolo?gicas que afetam praticamente todos os sistemas do organismo. No sistema respirato?rio, o excesso de tecido adiposo tora?cico e abdominal reduz a complace?ncia pulmonar, dificulta a ventilac?a?o e aumenta o risco de hipoxemia durante o ato aneste?sico. No sistema cardiovascular, ha? maior sobrecarga cardi?aca, predispondo a insuficie?ncia cardi?aca e arritmias. Essas particularidades elevam o risco aneste?sico e ciru?rgico, exigindo planejamento minucioso e monitorizac?a?o intensiva durante todo o processo perioperato?rio. As complicac?o?es ciru?rgicas mais comuns em pacientes obesos incluem infecc?a?o de ferida operato?ria, deisce?ncia, seroma, tromboembolismo venoso, complicac?o?es respirato?rias e dificuldades na cicatrizac?a?o. O excesso de tecido adiposo interfere no acesso ciru?rgico, aumenta o tempo operato?rio e a perda sangui?nea, ale?m de dificultar o fechamento adequado das inciso?es. Estudos apontam que o risco de complicac?o?es infecciosas e? ate? tre?s vezes maior em pacientes com IMC acima de 40 kg/m2, devido a? menor perfusa?o tecidual e a? dificuldade de penetrac?a?o de antibio?ticos nos tecidos adiposos (SOUZA; LIMA, 2022). O
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Editora Epitaya | Rio de Janeiro-RJ | ISBN 978-65-5132-015-6 | 2025
manejo aneste?sico desses pacientes tambe?m exige protocolos diferenciados. A intubac?a?o orotraqueal pode ser mais difi?cil pela limitac?a?o de mobilidade cervical e acu?mulo de tecido adiposo em vias ae?reas superiores. A escolha de fa?rmacos deve considerar o peso corporal ideal e o real, para evitar superdosagens e complicac?o?es respirato?rias po?s-operato?rias. Nesse sentido, a atuac?a?o conjunta entre anestesiologistas, cirurgio?es e enfermeiros e? essencial para garantir seguranc?a e estabilidade hemodina?mica durante e apo?s o procedimento (OLIVEIRA; BARBOSA, 2023). Conclusa?o: O tratamento ciru?rgico de pacientes com obesidade mo?rbida representa um grande desafio na pra?tica cli?nica e requer uma abordagem abrangente, segura e humanizada. As complicac?o?es associadas a? obesidade podem comprometer significativamente o progno?stico e aumentar o tempo de internac?a?o hospitalar. Dessa forma, o sucesso ciru?rgico depende do planejamento pre?vio, da atuac?a?o interdisciplinar e da adoc?a?o de protocolos de seguranc?a especi?ficos. Investir na capacitac?a?o das equipes, na estrutura hospitalar adequada e em estrate?gias de prevenc?a?o de complicac?o?es e? essencial para garantir melhores resultados cli?nicos e maior qualidade de vida aos pacientes.

