ABORDAGEM FISIOPATOLÓGICA E CLÍNICA DOS DISTÚRBIOS HIPERTENSIVOS NA GESTAÇÃO: DA DISFUNÇÃO PLACENTÁRIA AO MANEJO TERAPÊUTICO

Autores

  • Andrew Carlo Chagas
  • Hugo Napoleão Cavalcanti Rolim
  • Rafael Furtado Bettio
  • Camila Ribeiro Moreira da Costa
  • Fabio Luis Grion
  • Thais Yanne Moreira Madeira

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p148

Palavras-chave:

Hipertensão gestacional, Pré-eclâmpsia, Mortalidade materna, Cuidado pré-natal, Nefroproteção.

Resumo

A prevalência dos distúrbios hipertensivos na gestação tem seguido uma trajetória ascendente, afetando atualmente uma em cada 10 gestações mundialmente, impulsionada por fatores como a idade materna avançada e a pandemia de obesidade. Longe de ser apenas um evento agudo e transitório, a hipertensão na gravidez é hoje reconhecida como um marcador de vulnerabilidade sistêmica e um "teste de estresse" natural que revela a predisposição cardiovascular subjacente da mulher. A origem dessa doença reside em uma falha crítica na placentação, onde o remodelamento incompleto das artérias espirais uterinas resulta em isquemia placentária e na liberação de fatores anti-angiogênicos, como o sFlt-1, na circulação materna. Esse desequilíbrio sequestra fatores de crescimento vascular, desencadeando uma disfunção endotelial sistêmica que culmina em hipertensão e lesões em órgãos-alvo. Para enfrentar esse desafio, a medicina fetal moderna adota o rastreio multiparamétrico e o uso de biomarcadores, como o rácio sFlt-1/PlGF, fundamentais para a predição e exclusão de curto prazo da pré-eclâmpsia. A prevenção primária baseia-se no uso de ácido acetilsalicílico (AAS), em baixas doses, iniciado antes da 16ª semana e na suplementação de cálcio, estratégias que modulam o tônus vascular e melhoram a perfusão placentária. No campo do manejo clínico, o estudo CHIPS revolucionou a prática ao demonstrar que o controle pressórico estrito, com alvo diastólico de 85 mmHg, reduz complicações maternas graves sem prejudicar o crescimento fetal. Escolhas farmacológicas como metildopa, labetalol e nifedipina são regidas pela segurança fetal, enquanto o sulfato de magnésio permanece como referência para a prevenção de convulsões eclâmpticas, conforme validado pelo Magpie Trial. O risco, contudo, não se encerra com o parto. O puerpério exige vigilância contra picos hipertensivos por redistribuição volêmica, e o legado cardiovascular estende-se por décadas, com um risco duas a quatro vezes maior de doenças coronarianas e AVC para essas mulheres. Assim, a integração da fisiopatologia molecular com o seguimento longitudinal é essencial para transformar a gestação em uma janela de oportunidade para a saúde cardiovascular permanente.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Chagas, A. C. ., Rolim, H. N. C. ., Bettio, R. F. ., Costa, C. R. M. da ., Grion, F. L. ., & Madeira, T. Y. M. . (2026). ABORDAGEM FISIOPATOLÓGICA E CLÍNICA DOS DISTÚRBIOS HIPERTENSIVOS NA GESTAÇÃO: DA DISFUNÇÃO PLACENTÁRIA AO MANEJO TERAPÊUTICO. Epitaya E-Books, 1(132), 148-166. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p148

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