PREVENÇÃO E MANEJO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA AGUDA: BASES FISIOPATOLÓGICAS E CONDUTAS ATUAIS
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p367Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca, Dispneia, Peptídeos natriuréticos, Admissão do paciente, Alta do pacienteResumo
A insuficiência cardíaca aguda (ICA) representa, na atualidade, o principal motivo para as internações hospitalares não planejadas e de caráter emergencial, particularmente na população senescente com idade superior a 65 anos. Esta condição não apenas sobrecarrega os sistemas de saúde globais com custos operacionais altos, mas também está intrinsecamente associada a índices alarmantes de morbidade e mortalidade. A complexidade da ICA reside em sua acentuada heterogeneidade clínica, o que impulsionou a proposição de diversos critérios de classificação ao longo das últimas décadas, visando estratificar o risco e direcionar a terapêutica de forma mais precisa. Independentemente do mecanismo fisiopatológico deflagrador — seja ele isquêmico, inflamatório ou mecânico —, a presença de congestão, manifestada de forma periférica ou pulmonar, consolida-se como o traço clínico predominante na vasta maioria dos casos. Em cenários de maior gravidade, observa-se uma redução crítica do débito cardíaco, culminando em estados de hipoperfusão tecidual e falência orgânica multissistêmica. O processo diagnóstico da ICA fundamenta-se em uma tríade essencial: a identificação rigorosa de sinais e sintomas clínicos, a análise de biomarcadores laboratoriais — com destaque para os peptídeos natriuréticos — e o suporte de exames de imagem não invasivos, como a ecocardiografia e a ultrassonografia pulmonar à beira do leito. Uma vez estabelecido o diagnóstico e excluídas as causas imediatamente reversíveis que exigem intervenção cirúrgica ou hemodinâmica de urgência, o manejo terapêutico concentra-se na estabilização volêmica e hemodinâmica. As intervenções de primeira linha envolvem o uso criterioso de diuréticos de alça e vasodilatadores intravenosos, cuja dosagem e administração são ajustadas dinamicamente conforme o perfil hemodinâmico inicial do paciente. Em quadros refratários ou de choque cardiogênico, torna-se essencial a adição de agentes inotrópicos, vasopressores e, em casos selecionados, o emprego de suporte circulatório mecânico para garantir a perfusão dos órgãos vitais e permitir a recuperação miocárdica.

