CONDUTA CLÍNICA NAS CRISES HIPERTENSIVAS E FISIOPATOLOGIA DAS LESÕES AGUDAS EM ÓRGÃOS-ALVO

Autores

  • Gabriella Matioli Lira Correa
  • Anna Cecília Barcellos Torres
  • Iara Carvalho de Souza Novaes
  • Ricardo Tirapelli Tanios
  • Bruno Monteiro Ribeiro
  • Nathalia Rebouças Pereira
  • André Rossanno Mendes Almeida
  • Gabriel Mendes Horevicht Laporte Mascarenhas

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p481

Palavras-chave:

Crise hipertensiva, Emergência hipertensiva, Urgência hipertensiva, Autorregulação cerebral, Lesão de órgãos-alvo

Resumo

A abordagem das crises hipertensivas na prática clínica contemporânea evoluiu de uma visão centrada em valores numéricos arbitrários para uma análise criteriosa da fisiopatologia da lesão de órgãos-alvo. Embora definida por níveis de pressão sistólica ?180 mmHg e/ou diastólica ?120mmHg, a gravidade da crise é determinada pela diferença fundamental entre emergências e urgências hipertensivas. Nas emergências, a elevação pressórica atua como fator primário de falência orgânica aguda, manifestando-se em quadros críticos como edema pulmonar, síndromes coronarianas e encefalopatia. Biologicamente, esse processo é desencadeado por um aumento súbito da resistência vascular sistêmica mediado por substâncias vasoconstritoras como a angiotensina II e a norepinefrina, o que gera um estresse de cisalhamento endotelial desproporcional. Esse dano inicia a microangiopatia trombótica hipertensiva, caracterizada por ativação plaquetária, necrose fibrinoide nas arteríolas e isquemia tecidual progressiva. A base para a condução desses casos é o fenômeno da autorregulação cerebral, que mantém o fluxo sanguíneo constante em flutuações da pressão arterial média entre 60 e 150 mmHg em indivíduos normotensos. Em hipertensos crônicos, essa curva sofre um desvio adaptativo para a direita para proteger o cérebro. Porém, essa adaptação torna os pacientes vulneráveis a reduções pressóricas rápidas, que podem precipitar infartos isquêmicos iatrogênicos. Por esse motivo, as diretrizes preconizam uma redução cautelosa da pressão arterial média em não mais que 20 a 25% na primeira hora para a maioria das emergências, utilizando medicamentos intravenosos de ação curta e fácil administração, como o labetalol, o esmolol e o clevidipino. Exceções críticas incluem a dissecção aguda de aorta, onde a redução deve ser súbita e agressiva em menos de 20 minutos. Contrastando com a gravidade das emergências, as urgências hipertensivas em pacientes estáveis não justificam o uso de medicações de ação rápida no pronto-socorro, devendo ser manejadas com ajuste de medicação oral e seguimento ambulatorial em 24 a 48 horas. A transição segura para a terapia oral e a investigação de causas secundárias encerram o ciclo de cuidado, transformando um evento agudo em uma oportunidade de controle crônico rigoroso e preservação da longevidade.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Correa, G. M. L. ., Torres, A. C. B. ., Novaes, I. C. de S. ., Tanios, R. T. ., Ribeiro, B. M. ., Pereira, N. R. ., Almeida, A. R. M. ., & Mascarenhas, G. M. H. L. . (2026). CONDUTA CLÍNICA NAS CRISES HIPERTENSIVAS E FISIOPATOLOGIA DAS LESÕES AGUDAS EM ÓRGÃOS-ALVO. Epitaya E-Books, 1(132), 481-494. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p481

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