AMILOIDOSE CARDÍACA: RED FLAGS CLÍNICAS E ESTRATÉGIAS CONTEMPORÂNEAS PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1265Palavras-chave:
Amiloidose cardíaca, Transtirretina, Cadeias leves, Cardiomiopatia infiltrativa, Diagnóstico precoceResumo
A amiloidose cardíaca consolidou-se, nos últimos anos, como uma das causas mais relevantes de cardiomiopatia infiltrativa na prática cardiovascular contemporânea. O avanço dos métodos diagnósticos e a maior compreensão de seus fenótipos clínicos mostraram que a doença é menos rara do que se supunha e, sobretudo, mais frequentemente subdiagnosticada do que efetivamente incomum. Parte expressiva dos pacientes historicamente enquadrados como portadores de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, hipertrofia ventricular associada à hipertensão arterial sistêmica ou cardiomiopatia hipertrófica, na verdade, apresenta infiltração amiloide não reconhecida em tempo oportuno.
Seu impacto clínico ultrapassa o acúmulo passivo de proteínas insolúveis no miocárdio. A deposição progressiva no interstício compromete a complacência ventricular, a função diastólica, a mecânica atrial, o sistema de condução e, em estágios mais avançados, a própria performance sistólica global. O atraso diagnóstico costuma decorrer menos da ausência de sinais e mais da leitura fragmentada de manifestações que atravessam diferentes especialidades, como síndrome do túnel do carpo, neuropatia periférica, hipotensão ortostática, fibrilação atrial, bloqueios de condução, estenose aórtica degenerativa e espessamento ventricular sem explicação proporcional.
As formas de maior interesse cardiológico são a amiloidose por cadeias leves imunoglobulínicas e a amiloidose por transtirretina, tanto hereditária quanto do tipo wild-type. A integração entre ecocardiografia com strain, ressonância nuclear magnética cardíaca, cintilografia óssea e rastreio laboratorial para discrasia plasmocitária reorganizou a jornada diagnóstica e reduziu, em parte dos pacientes, a dependência de métodos invasivos. Hoje, reconhecer precocemente a doença interfere diretamente no prognóstico, na escolha terapêutica e na qualidade do cuidado.

