RELAÇÃO ENTRE NÍVEIS DE VITAMINA D E DOENÇAS CARDIOVASCULARES: O PAPEL DA SUPLEMENTAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.2025936p478Palavras-chave:
Vitamina D, Suplementação nutricional, Doenças cardiovasculares, Fatores de risco, Ensaios clínicos como assuntoResumo
A vitamina D é um hormônio esteroide lipossolúvel essencial para a homeostase do cálcio e a saúde óssea. Nas últimas décadas, seu papel extrarrenal tem sido amplamente investigado, incluindo a influência sobre o sistema cardiovascular. Diversos estudos epidemiológicos apontam uma associação entre baixos níveis séricos de 25-hidroxivitamina D e um risco aumentado de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e infarto agudo do miocárdio. A vitamina D parece exercer efeitos cardioprotetores com diferentes mecanismos. Ela atua na modulação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, influencia a função endotelial, regula a inflamação e o estresse oxidativo, além de ter impacto sobre a função das células musculares lisas vasculares. Sua deficiência tem sido relacionada ao aumento da rigidez arterial, disfunção endotelial e maior prevalência de fatores de risco como obesidade, diabetes tipo 2 e dislipidemia. Porém, os resultados de ensaios clínicos randomizados sobre a suplementação de vitamina D com o objetivo de prevenir eventos cardiovasculares são conflitantes. Enquanto alguns demonstraram melhorias discretas na pressão arterial e nos marcadores inflamatórios, outros não evidenciaram benefícios significativos. A heterogeneidade dos estudos, incluindo diferenças na dose, duração da suplementação, níveis basais de vitamina D e características dos participantes, contribui para as divergências nos achados. Sendo assim, mesmo existindo uma associação consistente entre hipovitaminose D e maior risco cardiovascular, ainda não há consenso sobre os benefícios diretos da suplementação de vitamina D na prevenção primária ou secundária de doenças cardiovasculares. Estudos adicionais, com metodologias mais uniformes e populações bem definidas, são necessários para esclarecer essa relação. Enquanto isso, recomenda-se monitorar os níveis de vitamina D em pacientes de risco e corrigir sua deficiência conforme diretrizes clínicas estabelecidas, com foco na saúde global do paciente.

