DESAFIOS DIAGNÓSTICOS E EVOLUÇÃO CLÍNICA NA CARDIOLOGIA DO EXERCÍCIO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p302Palavras-chave:
Cardiologia esportiva, Eletrocardiografia do esporte, Arritmias cardíacas, Adaptação cardiovascular, Morte súbita cardíacaResumo
O cenário da medicina desportiva atual reflete um aumento sem precedentes no número de praticantes de atividades físicas de alta intensidade e atletas de elite, fenômeno que exige um refinamento constante das práticas de monitoramento cardiovascular. Embora a prática de exercícios físicos seja consolidada como uma das intervenções mais eficazes para a redução da morbimortalidade cardiovascular, o esforço extremo atua como um gatilho potencial para eventos adversos em indivíduos com condições patológicas silenciosas, sejam elas congênitos ou adquiridas. Isso resultou na necessidade de subespecialistas capazes de interpretar adaptações fisiológicas que, muitas vezes, reduzem situações de risco. A triagem pré-participação surge como base fundamental para a prevenção da morte súbita cardíaca, embora sua implementação gere debates globais sobre a inclusão do eletrocardiograma de repouso, variando entre a alta sensibilidade dos modelos europeus e a abordagem focada em anamnese e exame físico preconizada em certas regiões dos Estados Unidos. O centro da cardiologia esportiva reside na diferenciação precisa entre a remodelação cardíaca adaptativa — que envolve alterações estruturais, elétricas e funcionais do miocárdio em resposta à carga hemodinâmica crônica — e as miocardiopatias patológicas, como a cardiomiopatia hipertrófica. Para isso, a integração de biomarcadores séricos de alta sensibilidade, como as troponinas cardíacas e o NT-proBNP, aliada a técnicas avançadas de imagem, como a ressonância magnética cardiovascular, permite uma análise profunda da integridade tecidual e da função ventricular.

