MECANISMOS INFLAMATÓRIOS E DESFECHOS CARDIOVASCULARES NA DEPRESSÃO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p577Palavras-chave:
Depressão, Ansiedade, Doença cardiovascular, Inflamação, Qualidade de vidaResumo
A interdependência entre a saúde mental e a estabilidade do sistema cardiovascular representa um dos campos mais férteis e necessários da medicina atual. Historicamente tratadas como esferas independentes, a depressão e as doenças cardiovasculares revelam, com base em evidências clínicas e moleculares robustas, uma simbiose fisiopatológica profunda e de via dupla. A depressão não se configura meramente como uma resposta emocional ao diagnóstico de uma cardiopatia. Ela atua como um fator de risco independente e primário, capaz de acelerar processos ateroscleróticos e aumentar a suscetibilidade a eventos críticos, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral. No centro dessa conexão, emergem mecanismos biológicos complexos que envolvem a inflamação crônica de baixo grau, caracterizada pela elevação de citocinas pró-inflamatórias como a interleucina-6 e o fator de necrose tumoral alfa, além da desregulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal e do desequilíbrio persistente do sistema nervoso autônomo. Essas alterações biológicas resultam em disfunção endotelial, aumento da agregação plaquetária e instabilidade miocárdica. Paralelamente, determinantes comportamentais, como o tabagismo, o sedentarismo e a má adesão aos regimes terapêuticos, amplificam esse cenário de vulnerabilidade. Estudos epidemiológicos demonstram que a abordagem integrada, que une o suporte psicossocial à farmacologia cardiovascular, é capaz de alterar o prognóstico clínico, evidenciando que a remissão dos sintomas depressivos está diretamente correlacionada à redução da mortalidade cardíaca. Diante das estimativas globais que posicionam o transtorno depressivo como o principal contribuinte para a carga de doenças na próxima década, a compreensão detalhada das vias moleculares e sistêmicas que unem estas condições é fundamental. Enquanto a obesidade, o diabetes e a inatividade física agravam ainda esse quadro, intervenções nutricionais e relaxamento guiado são apontadas como ferramentas complementares essenciais. A transição para um modelo de cuidado integral e multidisciplinar é o caminho para otimizar a sobrevida de pacientes que enfrentam esta complexa sobreposição de agravos.

