COMPLEXIDADE DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA DA HIPERTENSÃO NA DOENÇA RENAL TERMINAL: DA GESTÃO VOLÊMICA À MODULAÇÃO NEURO-HUMORAL

Autores

  • Vanessa Sampaio Cardoso da Cunha
  • Beatriz Silvestre Knust
  • Jorge Alexandre de Araujo Peres
  • Antonio Heloisio Limeira Pinheiro
  • Helia Maria Rodrigues Silva
  • Paulo Victor Cabral Abreu
  • Emanuel Rodrigues Aguiar

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p597

Palavras-chave:

Diálise, Hemodiálise, Hipertensão, Doença renal terminal, MAPA, Risco cardiovascular

Resumo

O manejo da hipertensão arterial na doença renal terminal (DRET) constitui um dos paradoxos mais complexos da cardiologia e nefrologia, onde a elevação pressórica atua simultaneamente como estímulo de progressão da doença renal e como a complicação cardiovascular mais prevalente, afetando mais de 80% dos pacientes em diálise. A gravidade desta condição é aumentada por uma vasculatura marcada por calcificações extensas e envelhecimento precoce, resultando em taxas de controle efetivo alarmantemente baixas, que raramente ultrapassam os 40%. O paradigma clínico atual desloca o foco das medidas pré-diálise instáveis — frequentemente influenciadas pelo efeito do "jaleco branco" e por trocas volêmicas rápidas — para uma avaliação dinâmica fora da unidade hospitalar. Neste cenário, a monitoração ambulatorial da pressão arterial (MAPA) de 44 a 48 horas se estabelece como um recurso indispensável para capturar a carga tensional real ao longo de todo o ciclo interdialítico e identificar padrões de não imersão noturna ou imersores reversos, presentes em mais de 80% dessa população. Fisiopatologicamente, a hipertensão na DRET é predominantemente dependente do eixo volume-sódio, onde o acúmulo de líquidos no período interdialítico eleva o débito cardíaco, evoluindo para uma vasoconstrição autorregulatória que aumenta a resistência vascular periférica. Este cenário é agravado por uma ativação simpática elevada, disparada pelos rins e por uma rigidez arterial acelerada, caracterizada pelo aumento da velocidade da onda de pulso (VOP), que impede o amortecimento da ejeção ventricular e predispõe à hipertrofia ventricular esquerda. A dinâmica pressórica segue um padrão único em dente de serra, que submete o sistema cardiovascular a ciclos repetitivos de estresse mecânico e hipoperfusão, aumentando o risco de atordoamento miocárdico. As evidências clínicas consolidam a perseguição rigorosa do peso seco como a estratégia não farmacológica, capaz de normalizar a pressão arterial em mais de 60% dos casos. No campo farmacológico, o uso de betabloqueadores como o carvedilol demonstrou reduções significativas na mortalidade cardiovascular, enquanto a individualização do sódio no dialisato surge como ferramenta importante para evitar o paradoxo da hipertensão intradialítica. O futuro aponta para ações intervencionistas, como a denervação renal experimental, que promete reduções sustentadas de até 30 mmHg, sinalizando uma transição para uma medicina de precisão que integre monitoração contínua e modulação neuro-humoral profunda.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Cunha, V. S. C. da ., Knust, B. S. ., Peres, J. A. de A. ., Pinheiro, A. H. L. ., Silva, H. M. R. ., Abreu, P. V. C. ., & Aguiar, E. R. . (2026). COMPLEXIDADE DIAGNÓSTICA E TERAPÊUTICA DA HIPERTENSÃO NA DOENÇA RENAL TERMINAL: DA GESTÃO VOLÊMICA À MODULAÇÃO NEURO-HUMORAL. Epitaya E-Books, 1(132), 597-612. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p597

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