INTERVENÇÕES NÃO FARMACOLÓGICAS NO MANEJO DA HIPERTENSÃO GERIÁTRICA E MODULAÇÃO DO ENVELHECIMENTO VASCULAR
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p541Palavras-chave:
Hipertensão no idoso, Estilo de vida, Dieta DASH, Rigidez arterial, GeriatriaResumo
O envelhecimento populacional mundial transformou a hipertensão arterial sistêmica (HAS) na patologia crônica mais prevalente na geriatria, afetando mais de 70% dos indivíduos acima de 65 anos. A medicina atual propõe uma mudança de paradigma ao considerar as intervenções não farmacológicas de terapias adjuvantes opções de primeira linha, visando reduzir os riscos da polifarmácia e restaurar a reserva funcional vascular. A fisiopatologia da HAS geriátrica é marcada pela senescência vascular, processo em que a elastina é substituída por colágeno na túnica média das grandes artérias, resultando em rigidez arterial e aumento da velocidade da onda de pulso. Essa condição é agravada pela hipossensibilidade do barorreflexo e por uma sensibilidade ao sal acentuada, decorrente da redução fisiológica na capacidade renal de excretar sódio, o que gera expansão volumétrica pronunciada e hipertensão hiporeninêmica. Na prática clínica, a monitoração exige cautela redobrada para identificar a pseudohipertensão via manobra de Osler e prevenir a hipotensão ortostática, garantindo que o controle pressórico não comprometa a perfusão cerebral e a marcha. Nesse cenário, o exercício físico surge como uma estratégia multimodal indispensável. Enquanto a atividade aeróbica ativa a via óxido nítrico sintase (eNOS) através do shear stress, o treino de resistência combate a sarcopenia, melhorando a sensibilidade à insulina e reduzindo o drive simpático. A evidência clínica demonstra que a combinação dessas modalidades é superior para o controle tensional e a manutenção da autonomia funcional. Complementarmente, os padrões alimentares DASH e Mediterrânico oferecem proteção multidimensional. A primeira atua no controle volêmico via aporte de fibras e minerais e a segunda utiliza polifenóis para proteger o endotélio contra o estresse oxidativo. A restrição sódica rigorosa se destaca pela potência terapêutica, podendo reduzir a pressão sistólica em até 15 mmHg. Além disso, a otimização de micronutrientes como o potássio — que promove a hiperpolarização vascular — e o magnésio — que atua como um bloqueador natural dos canais de cálcio — é fundamental para a estabilidade hemodinâmica. O manejo clínico deve ainda considerar a higiene do sono para restaurar o descenso noturno (dipping) e a gestão do estresse para atenuar picos adrenérgicos. O futuro do cuidado geriátrico aponta para a personalização digital via wearables e inteligência artificial, permitindo ajustes em tempo real que respeitem a fragilidade e as preferências individuais, garantindo um envelhecimento ativo e resiliente.

