FENOTIPAGEM HEMODINÂMICA E MECANISMOS METABÓLICOS NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONTEMPORÂNEA

Autores

  • Gerson Barbosa do Nascimento
  • Amanda Laghi Sandoval Hamamoto
  • Orlando Adolfo Vargas Barba
  • Christiane de Paula Jued Moyses
  • Francisco Antonio da Silveira Neto
  • Mario Augusto Mariano

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p796

Palavras-chave:

Insuficiência cardíaca; Fração de ejeção preservada; Adipocinas; Inflamação sistêmica; Inibidores da SGLT2; Inteligência artificial.

Resumo

Hoje, a insuficiência cardíaca (IC) não é mais compreendida como uma patologia singular, mas como um espectro clínico e hemodinâmico complexo, categorizado fundamentalmente pela fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) em três fenótipos: preservada (ICFEp), intermediária (ICFEi) e reduzida (ICFEr). Atualmente, a ICFEp representa um dos maiores desafios da cardiologia, sendo responsável por mais de metade das hospitalizações globais por IC. A sua fisiopatologia é marcada por uma transição de paradigma, onde a clássica sobrecarga de pressão cede lugar à "hipótese metabólica", que identifica a desregulação de adipocinas e a inflamação sistêmica de baixo grau como os gatilhos primordiais da disfunção miocárdica. Nesse cenário, o papel das comorbidades — notadamente a obesidade e o diabetes mellitus tipo 2 — é central. O tecido adiposo epicárdico (TAE) atua como um órgão endócrino e parácrino, secretando mediadores inflamatórios que induzem o estresse oxidativo e a disfunção microvascular coronária. Esse ambiente pró-inflamatório reduz a biodisponibilidade de óxido nítrico (NO), comprometendo a via de sinalização NO-sGC-cGMP-PKG, o que resulta na hipofosforilação da titina e no consequente aumento da rigidez passiva dos cardiomiócitos, além de promover a fibrose intersticial. Paralelamente, a ICFEr é caracterizada pela perda de unidades contráteis e pelo remodelamento ventricular excêntrico, impulsionado por uma superativação neuro-hormonal deletéria. A nova era da insuficiência cardíaca é, portanto, definida pela integração de tecnologias, como a inteligência artificial para o "fenomapeamento" de pacientes e a medicina genômica para a identificação de alvos moleculares específicos. A revolução terapêutica consolidou o uso de novas classes farmacológicas, como os ARNIs e os inibidores da SGLT2, que oferecem proteção multiorgânica e remodelamento reverso, enquanto a monitorização hemodinâmica remota via sensores implantáveis permite uma gestão proativa e personalizada da síndrome, reduzindo drasticamente a morbidade e a mortalidade.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Nascimento, G. B. do ., Hamamoto, A. L. S. ., Barba, O. A. V. ., Moyses, C. de P. J. ., Silveira Neto, F. A. da ., & Mariano, M. A. . (2026). FENOTIPAGEM HEMODINÂMICA E MECANISMOS METABÓLICOS NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONTEMPORÂNEA. Epitaya E-Books, 1(132), 796-810. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p796

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