IMPLEMENTAÇÃO DA FARMACOGENÔMICA NO TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO RUMO À MEDICINA DE PRECISÃO CARDIOVASCULAR

Autores

  • Gerson Barbosa do Nascimento
  • Anna Freitas Cardoso Freire
  • Ícaro Nunes Galiaço
  • Ritcheli Nayara Moraes de Carvalho
  • Brena Pereira Batisti Parizotto
  • Omar Fabio Rojas Ibanez
  • André Rossanno Mendes Almeida

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p922

Palavras-chave:

Farmacogenômica, Hipertensão, SNPs, Medicina de precisão, Polimorfismos genéticos

Resumo

A farmacogenômica no tratamento da hipertensão arterial é atualmente uma das maiores representações de uma medicina de precisão fundamentada na estrutura genética individual. Considerando que a hereditariedade explica quase metade da variação da pressão arterial na população geral, o impacto da genética estende-se à forma como o organismo processa e responde aos medicamentos, permitindo identificar precocemente "não-respondedores" ou pacientes em risco de toxicidade por meio de biomarcadores genéticos. A base desta variabilidade reside nos polimorfismos de nucleótido único (SNPs), que afetam tanto a farmacocinética — alterando a absorção e o metabolismo via enzimas do citocromo P450, como a CYP2D6 para betabloqueadores — quanto a farmacodinâmica, ao modificarem os próprios alvos terapêuticos, como receptores, canais iônicos e enzimas. Evidências clínicas demonstram que polimorfismos no sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) revelam a eficácia de classes essenciais. Por exemplo, o genótipo DD no gene ACE associa-se a níveis elevados da enzima circulante, enquanto variantes no gene AGTR1 modulam a sensibilidade aos bloqueadores dos receptores da angiotensina. Da mesma forma, variantes no gene ADRB1 determinam uma resposta superior ao metoprolol e atenolol em homozigotos Arg389, ao passo que o gene ADD1 identifica indivíduos com sensibilidade ao sal aumentada que apresentam quedas tencionais mais acentuadas com diuréticos tiazídicos. Esta personalização deve também contemplar a diversidade genômica e étnica, evitando regimes subótimos em populações com perfis hormonais e metabólicos distintos. O futuro do manejo da hipertensão aponta para a integração de pontuações de risco poligênico (PRS), que concentram o impacto cumulativo de milhares de variantes para prever respostas terapêuticas complexas e o risco de complicações. Embora a implementação clínica ainda enfrente barreiras infraestruturais e a necessidade de ensaios prospetivos e randomizados, o trabalho de consórcios como o CPIC na padronização de diretrizes é importante para a transição do conhecimento da pesquisa para o consultório. A convergência entre o perfil genético, inteligência artificial e dados de estilo de vida captados por dispositivos vestíveis promete uma cardiologia preditiva e proativa, onde o compromisso é oferecer o medicamento certo, na dose certa, para o paciente certo.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Nascimento, G. B. do ., Freire, A. F. C. ., Galiaço, Ícaro N. ., Carvalho, R. N. M. de ., Parizotto, B. P. B. ., Ibanez, O. F. R. ., & Almeida, A. R. M. . (2026). IMPLEMENTAÇÃO DA FARMACOGENÔMICA NO TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO RUMO À MEDICINA DE PRECISÃO CARDIOVASCULAR. Epitaya E-Books, 1(132), 922-938. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p922

Edição

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