IMPLEMENTAÇÃO DA FARMACOGENÔMICA NO TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO RUMO À MEDICINA DE PRECISÃO CARDIOVASCULAR
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p922Palavras-chave:
Farmacogenômica, Hipertensão, SNPs, Medicina de precisão, Polimorfismos genéticosResumo
A farmacogenômica no tratamento da hipertensão arterial é atualmente uma das maiores representações de uma medicina de precisão fundamentada na estrutura genética individual. Considerando que a hereditariedade explica quase metade da variação da pressão arterial na população geral, o impacto da genética estende-se à forma como o organismo processa e responde aos medicamentos, permitindo identificar precocemente "não-respondedores" ou pacientes em risco de toxicidade por meio de biomarcadores genéticos. A base desta variabilidade reside nos polimorfismos de nucleótido único (SNPs), que afetam tanto a farmacocinética — alterando a absorção e o metabolismo via enzimas do citocromo P450, como a CYP2D6 para betabloqueadores — quanto a farmacodinâmica, ao modificarem os próprios alvos terapêuticos, como receptores, canais iônicos e enzimas. Evidências clínicas demonstram que polimorfismos no sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) revelam a eficácia de classes essenciais. Por exemplo, o genótipo DD no gene ACE associa-se a níveis elevados da enzima circulante, enquanto variantes no gene AGTR1 modulam a sensibilidade aos bloqueadores dos receptores da angiotensina. Da mesma forma, variantes no gene ADRB1 determinam uma resposta superior ao metoprolol e atenolol em homozigotos Arg389, ao passo que o gene ADD1 identifica indivíduos com sensibilidade ao sal aumentada que apresentam quedas tencionais mais acentuadas com diuréticos tiazídicos. Esta personalização deve também contemplar a diversidade genômica e étnica, evitando regimes subótimos em populações com perfis hormonais e metabólicos distintos. O futuro do manejo da hipertensão aponta para a integração de pontuações de risco poligênico (PRS), que concentram o impacto cumulativo de milhares de variantes para prever respostas terapêuticas complexas e o risco de complicações. Embora a implementação clínica ainda enfrente barreiras infraestruturais e a necessidade de ensaios prospetivos e randomizados, o trabalho de consórcios como o CPIC na padronização de diretrizes é importante para a transição do conhecimento da pesquisa para o consultório. A convergência entre o perfil genético, inteligência artificial e dados de estilo de vida captados por dispositivos vestíveis promete uma cardiologia preditiva e proativa, onde o compromisso é oferecer o medicamento certo, na dose certa, para o paciente certo.

