PRECISÃO NA HIPERTENSÃO PULMONAR: DA RECONFIGURAÇÃO VASCULAR À INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA

Autores

  • André Maia de Oliveira
  • Carlos Eduardo Silva Leão
  • Laiza Medeiros dos Anjos
  • Sebastião de Almeida e Silva Neto
  • Ícaro Nunes Galiaço
  • Renê Augusto Gonçalves e Silva
  • Camila Guerreiro Bentes

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p57x

Palavras-chave:

Hipertensão pulmonar, Remodelação vascular, Insuficiência cardíaca direita, Vasodilatadores, Hemodinâmica

Resumo

A hipertensão pulmonar (HP) passa por um estágio de redefinição clínica e fisiopatológica, deixando de ser vista como uma entidade patológica isolada para ser compreendida como um estado hemodinâmico complexo e multifatorial de prognóstico reservado. A mudança recente na definição diagnóstica, que agora estabelece o limiar de pressão média da artéria pulmonar superior a 20 mmHg, aferido obrigatoriamente por cateterismo cardíaco direito, reflete a urgência em identificar precocemente o processo de remodelação vascular que impõe uma pós-carga crítica ao ventrículo direito, uma câmara de baixa reserva muscular e complacência limitada. No centro biológico dessa patologia, a disfunção endotelial atua como fator primário da transformação vascular, causando um desequilíbrio entre substâncias vasodilatadoras e antiproliferativas, como o óxido nítrico e a prostaciclina, e a superexpressão de mediadores mitogênicos e vasoconstritores, principalmente a endotelina-1. Esse cenário molecular resulta em alterações estruturais profundas nas camadas íntima, média e adventícia das arteríolas pulmonares, resultando na proliferação celular descontrolada e na formação de lesões plexiformes que obstruem o lúmen vascular. A classificação atual em cinco grupos etiológicos fundamentais garante o sucesso terapêutico, distinguindo desde a raridade da hipertensão arterial pulmonar (Grupo 1) até as formas secundárias a doenças do coração esquerdo e patologias pulmonares, que representam a maior carga epidemiológica. A evolução das estratégias farmacológicas foi marcada pela transição disruptiva da monoterapia para a terapia combinada inicial upfront, sustentada por evidências como as do estudo AMBITION, que demonstrou reduções de até 50% no risco de falência clínica ao combater simultaneamente múltiplas vias de sinalização. Paralelamente, o manejo do Grupo 4 (tromboembólico crônico) consolidou intervenções como a tromboendarterectomia e a angioplastia por balão como caminhos para a cura ou controle hemodinâmico. O futuro da especialidade agora aponta para a medicina de precisão, onde a manipulação da via do TGF-beta através de fármacos como o sotatercept promete não apenas reduzir sintomas, mas reverter o remodelamento estrutural, proporcionando longevidade para pacientes que antes não tinham perspectivas definitivas.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Oliveira, A. M. de ., Leão, C. E. S. ., Anjos, L. M. dos ., Silva Neto, S. de A. e ., Galiaço, Ícaro N. ., Silva, R. A. G. e ., & Bentes, C. G. . (2026). PRECISÃO NA HIPERTENSÃO PULMONAR: DA RECONFIGURAÇÃO VASCULAR À INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA. Epitaya E-Books, 1(132), 57-83. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p57x

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