INTEGRAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS NA PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR COM O OBJETIVO DE REDUZIR OS NÚMEROS DE MORBIMORTALIDADE GLOBAL
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p348Palavras-chave:
Prevenção primária, Prevenção secundária, Fatores de risco cardiovasculares, Estilo de vida saudável, Reabilitação cardíacaResumo
A preservação da saúde cardiovascular tem sido um dos maiores desafios da medicina contemporânea, uma vez que as doenças cardiovasculares (DCV) respondem por aproximadamente 17,7 milhões de mortes anuais, representando a principal causa de mortalidade global. A dimensão dessa crise sanitária é acentuada pelo fato de que 90% desses eventos poderiam ser evitados por meio da aplicação rigorosa de protocolos preventivos, evitando não apenas a perda prematura de vidas, mas também ciclos de degradação socioeconômica familiar. A estrutura dessa prevenção está apoiada na sinergia entre estratégias primárias e secundárias: enquanto a primeira foca em medidas proativas em indivíduos saudáveis para impedir a manifestação da doença por meio de estilos de vida cardioprotetores, a prevenção secundária atua no diagnóstico precoce e tratamento de doenças já existentes, visando impedir a progressão para complicações fatais e manter a autonomia funcional do paciente. No centro fisiopatológico dessas condições reside a aterosclerose, um processo inflamatório crônico iniciado pela disfunção endotelial e pela oxidação de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) no espaço subendotelial. A evolução dessa placa aterosclerótica é a base da isquemia miocárdica na doença arterial coronária (DAC) e para os eventos cerebrovasculares, como o AVC isquêmico e hemorrágico. Para reduzir esses riscos, intervenções no estilo de vida mostram-se determinantes: a cessação do tabagismo pode diminuir o risco de DAC em 50% após um ano, enquanto a prática de exercícios físicos ativa a enzima eNOS, elevando a produção de óxido nítrico e garantindo a vasodilatação eficiente. Além disso, padrões dietéticos como as dietas DASH e Mediterrânea atuam na estabilização de placas e redução da pressão arterial. A evidência clínica moderna expandiu o cenário terapêutico na prevenção secundária, destacando o papel das estatinas não apenas na redução do colesterol, mas na estabilização de placas vulneráveis por meio de efeitos pleiotrópicos. O uso de antiagregantes plaquetários, como o AAS e inibidores de P2Y12, é essencial para o controle da tensão trombogênica e a prevenção de reinfartos. Recentemente, a introdução dos inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1 revolucionou o manejo, oferecendo proteção cardiorrenal direta e redução da mortalidade independentemente do controle glicêmico. Complementarmente, programas de reabilitação cardíaca multidisciplinar demonstram reduzir a mortalidade cardiovascular em até 25%.

