DIFERENÇAS FENOTÍPICAS E A PERSONALIZAÇÃO DO CUIDADO CARDIOVASCULAR ENTRE HOMENS E MULHERES
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p613Palavras-chave:
Doença cardiovascular, Diferenças entre sexos, Terapêutica, Fatores de gênero, Resposta ao tratamentoResumo
As doenças cardiovasculares permanecem como o principal desafio para a saúde pública em escala global, apresentando uma letalidade que mascara disparidades críticas na forma como homens e mulheres vivenciam a patologia. Historicamente, a abordagem clínica foi moldada por dados obtidos majoritariamente de amostras masculinas, o que resultou em protocolos que frequentemente negligenciam as especificidades biológicas e estruturais do corpo feminino. A transição para uma prática médica mais precisa exige o reconhecimento de que o gênero não é apenas uma variável demográfica, mas um determinante biológico profundo que altera desde o tamanho das câmaras cardíacas e o diâmetro dos vasos coronários até a reatividade do sistema nervoso autônomo frente ao estresse agudo. Enquanto os homens tendem a apresentar obstruções coronárias calcificadas e focais, as mulheres frequentemente manifestam doenças microvasculares e placas com maior propensão à erosão, acompanhadas de sintomas que escapam à descrição clássica da dor precordial, como náuseas, dispneia e fadiga intensa. Essas variações na apresentação clínica contribuem para um cenário de subdiagnóstico e atraso no início de intervenções terapêuticas fundamentais, elevando as taxas de complicações pós-procedimentos invasivos. Além das diferenças anatômicas, o perfil hormonal desempenha um papel protetor ou agravante; a queda dos níveis de estrogênio no climatério elimina a defesa endotelial natural da mulher, aproximando seu risco cardiovascular ao do homem. No campo farmacológico, disparidades na absorção, distribuição e metabolismo de medicamentos indicam que a eficácia de betabloqueadores e inibidores da enzima conversora de angiotensina varia significativamente entre os sexos. Portanto, o avanço na redução da mortalidade depende da integração de políticas de saúde que incentivem a inclusão equitativa de mulheres em ensaios clínicos e a capacitação das equipes para identificar sinais atípicos. Somente através de uma análise exaustiva das vias moleculares e hemodinâmicas específicas para cada sexo será possível estabelecer diretrizes que garantam uma assistência segura e eficaz para toda a população.

