AVALIAÇÃO DA VARIABILIDADE DA PRESSÃO ARTERIAL E O PAPEL DOS BIOMARCADORES DIGITAIS NA PREVENÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR

Autores

  • Camilla Kelly Pereira
  • Victor Nassif Figueira
  • José Roberto Guidio
  • Roxana Lissette Rodriguez Olmos
  • Hugo Tadeu Metidieri
  • Rachel Cristine Vale da Silva
  • Mônica Lucas Martins

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p939

Palavras-chave:

Variabilidade da pressão arterial, Biomarcadores digitais, Inteligência Artificial, Risco cardiovascular, Hemodinâmica

Resumo

A prática clínica cardiovascular agora tem reconhecido a variabilidade da pressão arterial (VPA) como um sinal fisiológico rico em informação, superando a constatação inicial centrada exclusivamente em valores estáticos. Enquanto a pressão arterial média indica a carga total sobre os vasos, a VPA atua como um biomarcador crítico da qualidade do controle homeostático, revelando riscos cardiovasculares que frequentemente permanecem ocultos em avaliações convencionais de consultório. No âmbito fisiopatológico, a instabilidade hemodinâmica é resultado de uma interação complexa entre a disfunção autonômica — marcada pela perda de sensibilidade do barorreflexo e hiperatividade simpática — e a rigidez arterial, que impede o amortecimento eficaz do volume sistólico e gera oscilações pressóricas mais amplas. Este estresse mecânico repetitivo estimula a microcirculação e promove danos estruturais em órgãos-alvo, induzindo o remodelamento fibrótico cardíaco, a glomeruloesclerose renal e a ruptura da barreira hematoencefálica. As evidências clínicas são contundentes ao associar uma VPA elevada ao desenvolvimento de hipertrofia ventricular esquerda, progressão da doença renal crônica e, de forma crítica, ao acidente vascular cerebral e ao declínio cognitivo. A interpretação clínica correta exige a classificação destas flutuações em escalas temporais, desde a variabilidade batimento a batimento até à variabilidade de longo prazo observada entre consultas, sendo esta última um importante preditor de mortalidade em populações hipertensas. A revolução tecnológica atual, impulsionada por sensores digitais de fotopletismografia e monitoração contínua sem manguito, permite agora captar essas oscilações em ambiente real, gerando um grande volume de dados (Big Data) que fundamenta o uso de Inteligência Artificial. O futuro consiste na aplicação de algoritmos de deep learning para analisar o sinal pressórico e realizar uma fenotipagem digital personalizada, transformando séries temporais complexas em escores de risco dinâmicos. Nesta nova era, o papel do profissional evolui, sendo agora capaz de integrar o monitoramento invisível para intervir preventivamente, muito antes da manifestação de eventos clínicos graves, assegurando a estabilidade hemodinâmica e a integridade vascular do paciente.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Pereira, C. K. ., Figueira, V. N. ., Guidio, J. R. ., Olmos, R. L. R. ., Metidieri, H. T. ., Silva, R. C. V. da ., & Martins, M. L. . (2026). AVALIAÇÃO DA VARIABILIDADE DA PRESSÃO ARTERIAL E O PAPEL DOS BIOMARCADORES DIGITAIS NA PREVENÇÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR. Epitaya E-Books, 1(132), 939-952. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p939

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