COMPLEXIDADE GENÉTICA E PRECISÃO TERAPÊUTICA NAS CARDIOPATIAS CONGÊNITAS
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p414Palavras-chave:
Doenças cardíacas congênitas, Doença cardíaca congênita sindrômica, Doença cardíaca congênita não sindrômica, Fatores genéticos, Fatores ambientaisResumo
A compreensão das cardiopatias congênitas atravessa um momento de profunda transformação técnica, distanciando-se de uma visão puramente anatômica para alcançar a complexidade da biologia molecular e da genética de sistemas. Estas anomalias, que incidem em aproximadamente oito a cada mil nascidos vivos, representam um desafio significativo à saúde pública devido à sua alta taxa de morbidade e à natureza muitas vezes irreversível das lesões miocárdicas em estágios precoces do desenvolvimento. O cenário atual revela que a formação do coração não é apenas um evento mecânico, mas um processo rigorosamente controlado por redes regulatórias que envolvem fatores de transcrição específicos e vias de sinalização celular que, quando interrompidas por mutações ou fatores ambientais, resultam em fenótipos variados, desde comunicações septais simples até transposições complexas de grandes vasos. Evidências clínicas demonstram que, embora a etiologia permaneça multifatorial, avanços em técnicas de sequenciamento e microarranjos permitiram identificar causas genéticas em cerca de 40% dos casos, incluindo aneuploidias, variantes de número de cópias e mutações monogênicas em genes fundamentais como NKX2.5 e GATA4. Simultaneamente, a prática terapêutica tem evoluído de uma transposição direta de protocolos de adultos para uma abordagem pediátrica especializada, incorporando o uso de betabloqueadores seletivos, inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona e avanços na terapia com prostaglandinas para estabilização hemodinâmica. No campo cirúrgico, a ascensão de procedimentos híbridos e intervenções por cateterismo minimamente invasivos tem redefinido o prognóstico desses pacientes, permitindo que a grande maioria alcance a vida adulta.

