REPERCUSSÕES MICRO E MACROVASCULARES E MANEJO CLÍNICO NO DIABETES MELLITUS
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p388Palavras-chave:
Diabetes mellitus, Complicações do diabetes, Diabetes mellitus tipo 2, Angiopatias diabéticas, Doenças cardiovascularesResumo
O cenário da saúde pública mundial tem enfrentado um desafio sem precedentes com o aumento do diabetes mellitus, uma condição metabólica que se transformou em uma crise sanitária de proporções globais, exercendo um impacto profundo na morbidade e na mortalidade das populações. Mais do que uma simples elevação da glicemia, a doença representa uma falha complexa nos sistemas de regulação energética do corpo, se manifestando pela destruição autoimune das células beta pancreáticas ou por uma resistência progressiva à ação da insulina combinada a uma falência secretora relativa. Esse desequilíbrio metabólico desencadeia uma cascata de eventos vasculares deletérios, em que a exposição crônica a níveis elevados de glicose promove danos sistêmicos que afetam, prioritariamente, o coração, os rins, os nervos e o sistema visual. Evidências clínicas indicam que indivíduos acometidos pelo diabetes enfrentam um risco cardiovascular de duas a quatro vezes superior ao da população geral, sendo as patologias cardíacas responsáveis por aproximadamente 75% dos óbitos registrados nesse grupo. A fisiopatologia subjacente envolve uma rede intrincada de estresse oxidativo, em que a formação de produtos finais de glicação avançada e a superprodução de espécies reativas de oxigênio comprometem a integridade do endotélio, favorecendo um processo aterosclerótico acelerado. Além disso, o estado inflamatório crônico e a disfunção endotelial servem como vias comuns tanto para as complicações macrovasculares — como a doença coronariana, o acidente vascular cerebral e a doença arterial periférica — quanto para as microvasculares, incluindo a nefropatia e a retinopatia. O manejo desses riscos demanda uma abordagem múltipla, integrando o controle glicêmico intensivo, a regulação da pressão arterial e terapias hipolipemiantes, além de classes farmacológicas recentes, como os inibidores de SGLT2 e os agonistas de GLP-1, que demonstram benefícios cardioprotetores diretos. As perspectivas se concentram na influência do microbioma intestinal, em modificações epigenéticas e em tratamentos anti-inflamatórios direcionados para mitigar o risco vascular residual.

