HOMEOSTASE CARDÍACA E PROTOCOLOS DE CUIDADO NA SAÚDE MATERNO-FETAL
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p1049Palavras-chave:
Gestação. Doenças cardiovasculares. Parto. Cardiomiopatia periparto. Feto.Resumo
A intersecção entre a gestação e as patologias cardiovasculares consolidou-se como um dos temas mais críticos da obstetrícia moderna, representando a principal causa de mortalidade materna em escala global. A transição demográfica das últimas décadas, caracterizada pelo adiamento da maternidade e pelo aumento da prevalência de obesidade, diabetes e hipertensão crônica, resultou em uma população de gestantes com maior vulnerabilidade a eventos cardíacos agudos. Além disso, o sucesso das correções cirúrgicas de cardiopatias congênitas na infância permite que um número crescente de mulheres atinja a idade reprodutiva, exigindo um planejamento pré-concepcional minucioso. O período de gestação impõe adaptações hemodinâmicas profundas, iniciando-se com uma vasodilatação sistêmica precoce mediada por hormônios como a relaxina e a progesterona, que reduzem drasticamente a resistência vascular periférica. Para compensar essa queda pressórica e suprir as demandas da unidade feto-placentária, o débito cardíaco eleva-se em até 45%, impulsionado pelo aumento da frequência cardíaca e da massa ventricular esquerda. Mas, essas mudanças, embora fisiológicas em mulheres hígidas, podem precipitar descompensações graves em pacientes com reserva cardíaca limitada, manifestando-se como edema pulmonar ou arritmias complexas, especialmente no periparto. O risco fetal é igualmente expressivo, abrangendo desde a transmissão hereditária de malformações até a restrição de crescimento intrauterino por hipoperfusão placentária. O manejo clínico eficaz depende da estratificação de risco baseada em sistemas como o da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta a intensidade do monitoramento e a viabilidade da concepção. A integração entre cardiologistas, obstetras de alto risco e anestesiologistas é o fundamento para reduzir as taxas de complicações e garantir a segurança materna. Implicações futuras apontam para o aprimoramento de técnicas de imagem e biomarcadores que permitam uma vigilância mais precisa, mitigando o impacto das patologias adquiridas e congênitas no binômio mãe-filho.

