PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E CARGA SISTÊMICA DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: DO DIAGNÓSTICO AO TRATAMENTO

Autores

  • Mateus Oliveira de Almeida
  • Tania Cristina Alves Zahlouth
  • Gicivan Sousa Domingos
  • Paulo Milad Sebba
  • Carulina Lafetá Prates Costa
  • Francisco Jhonatan Elias Figueiredo
  • Gabriele Gianfelice

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p859

Palavras-chave:

Insuficiência cardíaca; Jovem adulto; Qualidade de vida; Hospitalização; Adesão terapêutica.

Resumo

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa e multissistêmica originada pela incapacidade do coração em manter um débito cardíaco adequado para as necessidades metabólicas teciduais ou por fazê-lo apenas sob pressões de enchimento patologicamente elevadas. Esta condição manifesta-se através de um espectro de sintomas que inclui dispneia, ortopneia e fadiga generalizada, apresentando uma taxa de mortalidade em cinco anos próxima de 50%. Globalmente, a prevalência atinge mais de 64 milhões de pessoas, com uma tendência alarmante de rejuvenescimento: a incidência em adultos com menos de 50 anos tem crescido de forma acentuada, impulsionada pela epidemia precoce de obesidade, hipertensão e diabetes mellitus tipo 2. A sistematização da doença utiliza classificações funcionais, estruturais e fenotípicas baseadas na fração de ejeção, distinguindo entre a disfunção sistólica clássica e as alterações predominantemente diastólicas e metabólicas. O ônus econômico da síndrome é massivo, estimado em 108 bilhões de dólares anuais em escala global, dos quais cerca de 60% referem-se a custos diretos com internações hospitalares. Nos Estados Unidos, a IC é o principal motor de internações, com permanências médias de 17,3 dias — um período significativamente superior ao de outras doenças crônicas. Um fator determinante nos desfechos clínicos refere-se à gestão financeira: o alto custo da polifarmácia essencial leva à má adesão terapêutica em cerca de 42,1% dos casos de reinternação, criando um ciclo de descompensação e endividamento. Além do fardo financeiro, a síndrome exerce uma erosão psicossocial profunda, impactando a identidade e a trajetória profissional do paciente. Existe uma relação bidirecional entre a IC e transtornos de saúde mental, onde a depressão e a ansiedade ativam cascatas inflamatórias, como a elevação da interleucina-6, que aceleram o remodelamento ventricular negativo. A qualidade de vida é severamente comprometida por limitações físicas decorrentes da miopatia esquelética e disfunção mitocondrial, além de um impacto frequentemente subnotificado na saúde sexual, afetando cerca de 60% dos pacientes. Paralelamente, distúrbios respiratórios do sono, como a apneia central e o padrão de Cheyne-Stokes, estão presentes em 40% dos casos, exacerbando a hiperatividade simpática e o risco de arritmias noturnas. O manejo atual busca mitigar esses riscos através de tecnologias de monitorização remota, como sensores de pressão na artéria pulmonar que permitem ajustes proativos na medicação, e modelos de cuidado centrados na autonomia do paciente, visando transformar a gestão da doença de uma resposta à descompensação aguda para uma vigilância hemodinâmica integrada.

Downloads

Publicado

2026-06-10

Como Citar

Almeida, M. O. de ., Zahlouth, T. C. A. ., Domingos, G. S. ., Sebba, P. M. ., Costa, C. L. P. ., Figueiredo, F. J. E. ., & Gianfelice, G. . (2026). PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E CARGA SISTÊMICA DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: DO DIAGNÓSTICO AO TRATAMENTO. Epitaya E-Books, 1(132), 859-873. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p859

Edição

Seção

Capítulo de Livro

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)