LIMITAÇÕES E RISCOS NA TERAPIA FARMACOLÓGICA DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: UMA ANÁLISE CRÍTICA
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p1009Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca, Polifarmácia, Cardiotoxicidade, Interações medicamentosas, Segurança do pacienteResumo
A insuficiência cardíaca (IC) representa um fardo global crescente para a saúde pública, sendo frequentemente acompanhada por uma série de comorbidades que exigem regimes complexos de polifarmácia. Embora a terapia medicamentosa guiada por diretrizes tenha melhorado os resultados clínicos, uma diversidade de fármacos comumente prescritos para condições não cardíacas pode, inadvertidamente, precipitar a descompensação ou agravar a disfunção miocárdica preexistente através de mecanismos como toxicidade direta, efeitos inotrópicos negativos ou alterações na homeostase de sódio e água. Entre os agentes antidiabéticos, as tiazolidinedionas são contraindicadas por aumentarem a retenção de líquidos e o risco de hospitalização, enquanto a saxagliptina apresenta riscos específicos de agravamento da IC. No campo da eletrofisiologia, antiarrítmicos de Classe I e agentes como sotalol e dronedarona devem ser evitados na IC com fração de ejeção reduzida devido ao risco de proarritmia e depressão miocárdica. Bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (verapamil e diltiazem) e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) apresentam riscos hemodinâmicos e renais significativos, sendo desaconselhados nesta população. Adicionalmente, antimicrobianos como o itraconazol e certos macrolídeos, além de terapias oncológicas (antraciclinas e inibidores de VEGF), exigem vigilância extrema por seu potencial cardiotóxico dose-dependente. A redução da morbidade e mortalidade iatrogênica depende de uma revisão sistemática da medicação e da adoção de terapias alternativas com segurança cardiovascular comprovada, integrando cuidados colaborativos e decisões terapêuticas estritamente individualizadas.

