NOVAS PERSPECTIVAS NA INIBIÇÃO DOS FATORES XI E XII E A EVOLUÇÃO DA ANTICOAGULAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p1130Palavras-chave:
Anticoagulantes orais. Fibrilação atrial. Trombose venosa profunda. Hemorragia. Farmacologia clínica.Resumo
A gestão de eventos trombóticos permanece como um dos maiores desafios da medicina, visto que a trombose se configura como a principal causa de mortalidade global e uma das metas prioritárias da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o controle de doenças não transmissíveis. Historicamente, a anticoagulação dependeu de agentes com múltiplos alvos, como a heparina e os antagonistas da vitamina K, que, apesar de eficazes, impunham limitações severas devido à necessidade de monitoramento constante e ao risco inerente de hemorragias graves. Nas últimas décadas, a introdução dos anticoagulantes orais diretos, conhecidos pela sigla DOACs, marcou uma mudança profunda na prática clínica ao oferecerem farmacocinética previsível e maior conveniência terapêutica em indicações como fibrilação atrial e tromboembolismo venoso. Porém, a persistência de complicações hemorrágicas e as restrições de uso em pacientes com insuficiência renal terminal ou válvulas mecânicas evidenciam que a busca pelo anticoagulante ideal — capaz de prevenir a trombose sem comprometer a hemostasia fisiológica — ainda não foi concluída. Nesse cenário, o sistema de contato, composto pelos fatores XI e XII, surgiu como um alvo promissor para o desenvolvimento de terapias de nova geração. Estudos epidemiológicos e modelos animais demonstraram que a deficiência desses fatores confere proteção contra a formação de trombos patológicos sem acarretar diáteses hemorrágicas significativas, sugerindo a possibilidade de dissociar o risco de sangramento da eficácia antitrombótica. Atualmente, diversas classes de agentes, incluindo oligonucleotídeos antisense, anticorpos monoclonais e pequenas moléculas, estão em fases avançadas de investigação clínica. Estes novos fármacos visam preencher as lacunas deixadas pelos tratamentos tradicionais, prometendo uma abordagem mais segura para populações de alto risco e para a anticoagulação associada a dispositivos médicos. O conhecimento profundo da fisiopatologia molecular desses alvos é, portanto, indispensável para que o profissional de saúde consiga otimizar os desfechos clínicos e garantir a segurança do paciente em um panorama terapêutico em rápida evolução.

