IMPACTO DAS COMORBIDADES NO MANEJO CLÍNICO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA

Autores

  • Guilherme Leão da Silva
  • Armando Pereira Martins Filho
  • Javier Jesús Armenteros Vilaú
  • Rodrigo de Lemos Soares Patriota
  • Beatriz Cappatto da Silva
  • Otávio Tenorio de Farias
  • Andrey Luciano de Queiroz

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p953

Palavras-chave:

Insuficiência cardíaca crônica, Comorbidades, Síndrome Cardiorrenal, Diabetes Mellitus, Anemia

Resumo

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome cardiovascular complexa e de alta prevalência, caracterizada pela incapacidade do miocárdio em manter um débito cardíaco adequado, o que desencadeia complicações sistêmicas como a retenção de líquidos e arritmias. Entre 1990 e 2017, a incidência global da doença quase dobrou, atingindo aproximadamente 64,3 milhões de pessoas, tornando-se uma das principais causas de mortalidade mundial. O manejo clínico da IC é desafiado pela frequente coexistência de comorbidades não cardiovasculares, como anemia, diabetes mellitus (DM), disfunção renal, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e distúrbios respiratórios do sono, condições que elevam substancialmente o risco de hospitalização e óbito. A anemia, presente em até 41,9% dos casos e frequentemente associada à deficiência de ferro, agrava o quadro hemodinâmico ao ativar o sistema renina-angiotensina-aldosterona, sendo a suplementação de ferro intravenoso a intervenção recomendada para melhorar a capacidade funcional. O diabetes mellitus atua como um potente acelerador da progressão da IC, exigindo o uso de inibidores de SGLT2, que demonstraram eficácia robusta na redução da mortalidade cardiovascular em diversos fenótipos da doença. Paralelamente, a síndrome cardiorrenal evidencia a interdependência entre coração e rins, onde a redução da taxa de filtração glomerular correlaciona-se diretamente com o aumento do risco de eventos fatais. No âmbito respiratório, a DPOC exige o uso criterioso de betabloqueadores cardiosseletivos, enquanto a apneia do sono demanda triagem polissonográfica e tratamento com CPAP para reduzir o estresse simpático. Embora a obesidade seja um fator de risco primário, o fenômeno do "paradoxo da obesidade" sugere uma complexidade adicional no prognóstico desses pacientes. O tratamento atual da IC evolui para uma abordagem baseada em fenótipos de fração de ejeção, consolidando os benefícios da polifarmácia na ICFEr, enquanto as lacunas na ICFEp reforçam a urgência de pesquisas contínuas. Portanto, o cuidado integrado e a personalização das estratégias terapêuticas são fundamentais para enfrentar a complexa interação entre a IC e suas comorbidades, visando a melhoria do prognóstico e da qualidade de vida dos pacientes.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Silva, G. L. da ., Martins Filho, A. P. ., Vilaú, J. J. A. ., Patriota, R. de L. S. ., Silva, B. C. da ., Farias, O. T. de ., & Queiroz, A. L. de . (2026). IMPACTO DAS COMORBIDADES NO MANEJO CLÍNICO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA. Epitaya E-Books, 1(132), 953-973. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p953

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