IMPACTO DAS COMORBIDADES NO MANEJO CLÍNICO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CRÔNICA
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p953Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca crônica, Comorbidades, Síndrome Cardiorrenal, Diabetes Mellitus, AnemiaResumo
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome cardiovascular complexa e de alta prevalência, caracterizada pela incapacidade do miocárdio em manter um débito cardíaco adequado, o que desencadeia complicações sistêmicas como a retenção de líquidos e arritmias. Entre 1990 e 2017, a incidência global da doença quase dobrou, atingindo aproximadamente 64,3 milhões de pessoas, tornando-se uma das principais causas de mortalidade mundial. O manejo clínico da IC é desafiado pela frequente coexistência de comorbidades não cardiovasculares, como anemia, diabetes mellitus (DM), disfunção renal, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e distúrbios respiratórios do sono, condições que elevam substancialmente o risco de hospitalização e óbito. A anemia, presente em até 41,9% dos casos e frequentemente associada à deficiência de ferro, agrava o quadro hemodinâmico ao ativar o sistema renina-angiotensina-aldosterona, sendo a suplementação de ferro intravenoso a intervenção recomendada para melhorar a capacidade funcional. O diabetes mellitus atua como um potente acelerador da progressão da IC, exigindo o uso de inibidores de SGLT2, que demonstraram eficácia robusta na redução da mortalidade cardiovascular em diversos fenótipos da doença. Paralelamente, a síndrome cardiorrenal evidencia a interdependência entre coração e rins, onde a redução da taxa de filtração glomerular correlaciona-se diretamente com o aumento do risco de eventos fatais. No âmbito respiratório, a DPOC exige o uso criterioso de betabloqueadores cardiosseletivos, enquanto a apneia do sono demanda triagem polissonográfica e tratamento com CPAP para reduzir o estresse simpático. Embora a obesidade seja um fator de risco primário, o fenômeno do "paradoxo da obesidade" sugere uma complexidade adicional no prognóstico desses pacientes. O tratamento atual da IC evolui para uma abordagem baseada em fenótipos de fração de ejeção, consolidando os benefícios da polifarmácia na ICFEr, enquanto as lacunas na ICFEp reforçam a urgência de pesquisas contínuas. Portanto, o cuidado integrado e a personalização das estratégias terapêuticas são fundamentais para enfrentar a complexa interação entre a IC e suas comorbidades, visando a melhoria do prognóstico e da qualidade de vida dos pacientes.

