FENOTIPAGEM E INVESTIGAÇÃO SISTEMÁTICA DAS ETIOLOGIAS ENDÓCRINAS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL: DA TRIAGEM BIOQUÍMICA À TERAPIA DE PRECISÃO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p445Palavras-chave:
Hipertensão secundária, Hiperaldosteronismo primário, Feocromocitoma, Paraganglioma, AldosteronaResumo
A investigação sistemática das etiologias endócrinas na hipertensão arterial sistêmica (HAS) representa um marco na transição da medicina empírica para a fenotipagem de precisão, permitindo identificar causas secundárias em até 15% dos pacientes. O hiperaldosteronismo primário (HAP) destaca-se como a causa mais prevalente, atingindo cerca de 20% dos indivíduos com hipertensão resistente, e caracteriza-se pela secreção autônoma de aldosterona, que independe dos mecanismos reguladores do sistema renina-angiotensina. Esse excesso hormonal promove retenção hídrica, hipocalemia em casos selecionados e danos cardiovasculares desproporcionais. O rastreio principal se refere à relação aldosterona-renina (ARR), cuja interpretação exige rigor técnico para reduzir interferências medicamentosas frequentes de anti-hipertensivos comuns, como betabloqueadores e diuréticos, que podem gerar resultados falsamente positivos ou negativos. A precisão diagnóstica evolui da tomografia computadorizada inicial — que apresenta limitações ao não diferenciar adenomas funcionantes de incidentalomas em pacientes acima de 40 anos — para o cateterismo de veias adrenais, consolidado como referência para lateralizar a secreção e guiar a conduta cirúrgica curativa. No espectro dos tumores cromafins, os feocromocitomas e paragangliomas (PPGL) exigem vigilância devido ao risco de crises hipertensivas fatais, sendo diagnosticados pela mensuração de metanefrinas plasmáticas ou urinárias com alta sensibilidade e validados por uma revolução genética que identifica mutações germinativas em até 40% dos casos. A síndrome de Cushing também contribui para a resistência vascular através da saturação da enzima 11?-HSD2 pelo excesso de cortisol, o que ativa receptores mineralocorticoides e mimetiza a ação da aldosterona. O futuro desse manejo aponta para a imagem funcional não invasiva, como o PET-CT utilizando o radiotraçador metomidato, que mapeia a atividade enzimática in vivo e promete revolucionar a localização de focos secretórios ocultos. A transição para um modelo de cuidado integrado e multidisciplinar interrompe o ciclo de polifarmácia e dano orgânico acelerado, oferecendo a oportunidade vital de resolução definitiva da causa base da elevação tensional.

