FENOTIPAGEM E INVESTIGAÇÃO SISTEMÁTICA DAS ETIOLOGIAS ENDÓCRINAS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL: DA TRIAGEM BIOQUÍMICA À TERAPIA DE PRECISÃO

Autores

  • Ivy Sales de Toledo
  • Armando Elias Chamma
  • Tibério José Lopes de Alencar
  • Armando Pereira Martins Filho
  • Gisela Correa Lara
  • Otávio Tenorio de Farias
  • Ney Carter do Carmo Borges Junior

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p445

Palavras-chave:

Hipertensão secundária, Hiperaldosteronismo primário, Feocromocitoma, Paraganglioma, Aldosterona

Resumo

A investigação sistemática das etiologias endócrinas na hipertensão arterial sistêmica (HAS) representa um marco na transição da medicina empírica para a fenotipagem de precisão, permitindo identificar causas secundárias em até 15% dos pacientes. O hiperaldosteronismo primário (HAP) destaca-se como a causa mais prevalente, atingindo cerca de 20% dos indivíduos com hipertensão resistente, e caracteriza-se pela secreção autônoma de aldosterona, que independe dos mecanismos reguladores do sistema renina-angiotensina. Esse excesso hormonal promove retenção hídrica, hipocalemia em casos selecionados e danos cardiovasculares desproporcionais. O rastreio principal se refere à relação aldosterona-renina (ARR), cuja interpretação exige rigor técnico para reduzir interferências medicamentosas frequentes de anti-hipertensivos comuns, como betabloqueadores e diuréticos, que podem gerar resultados falsamente positivos ou negativos. A precisão diagnóstica evolui da tomografia computadorizada inicial — que apresenta limitações ao não diferenciar adenomas funcionantes de incidentalomas em pacientes acima de 40 anos — para o cateterismo de veias adrenais, consolidado como referência para lateralizar a secreção e guiar a conduta cirúrgica curativa. No espectro dos tumores cromafins, os feocromocitomas e paragangliomas (PPGL) exigem vigilância devido ao risco de crises hipertensivas fatais, sendo diagnosticados pela mensuração de metanefrinas plasmáticas ou urinárias com alta sensibilidade e validados por uma revolução genética que identifica mutações germinativas em até 40% dos casos. A síndrome de Cushing também contribui para a resistência vascular através da saturação da enzima 11?-HSD2 pelo excesso de cortisol, o que ativa receptores mineralocorticoides e mimetiza a ação da aldosterona. O futuro desse manejo aponta para a imagem funcional não invasiva, como o PET-CT utilizando o radiotraçador metomidato, que mapeia a atividade enzimática in vivo e promete revolucionar a localização de focos secretórios ocultos. A transição para um modelo de cuidado integrado e multidisciplinar interrompe o ciclo de polifarmácia e dano orgânico acelerado, oferecendo a oportunidade vital de resolução definitiva da causa base da elevação tensional.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Toledo, I. S. de ., Chamma, A. E. ., Alencar, T. J. L. de ., Martins Filho, A. P. ., Lara, G. C. ., Farias, O. T. de ., & Borges Junior, N. C. do C. (2026). FENOTIPAGEM E INVESTIGAÇÃO SISTEMÁTICA DAS ETIOLOGIAS ENDÓCRINAS NA HIPERTENSÃO ARTERIAL: DA TRIAGEM BIOQUÍMICA À TERAPIA DE PRECISÃO. Epitaya E-Books, 1(132), 445-461. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p445

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