DISFUNÇÃO ADIPOCITÁRIA E O RISCO CARDIOMETABÓLICO NA OBESIDADE
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p1169Palavras-chave:
Obesidade. Manejo da obesidade. Peso corporal. Índice de massa corporal. Doenças cardiovasculares.Resumo
A obesidade transcende a mera questão estética, consolidando-se como um dos desafios sanitários mais críticos da atualidade, com repercussões que afetam tanto nações desenvolvidas quanto em desenvolvimento. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 39% da população adulta global apresenta excesso de peso, sendo que 13% desse total preenchem critérios diagnósticos para obesidade. Esta condição atua como um fator fisiopatológico complexo, elevando significativamente o risco de doenças cardiovasculares por meio de vias diretas e indiretas, incluindo a promoção de hipertensão sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e apneia obstrutiva do sono. No nível celular, o acúmulo excessivo de tecido adiposo desencadeia um estado inflamatório crônico de baixa intensidade, mediado pela ativação de vias moleculares como NF-kB e pela secreção exacerbada de citocinas pró-inflamatórias, a exemplo do fator de necrose tumoral-alfa e das interleucinas 1? e 6, que resultam em disfunção endotelial, estresse oxidativo e resistência à insulina. Embora o Índice de Massa Corporal (IMC) permaneça como a métrica diagnóstica predominante na prática clínica devido à sua praticidade e baixo custo, indicadores de adiposidade central e visceral, como a circunferência abdominal e a relação cintura-quadril, demonstram maior precisão na predição de eventos coronarianos agudos, insuficiência cardíaca e mortalidade por todas as causas. O tratamento atual exige uma abordagem multidisciplinar e robusta que integra modificações profundas no estilo de vida, estratégias nutricionais como a dieta mediterrânea e intervenções farmacológicas avançadas com agonistas do receptor de GLP-1. Em quadros de maior gravidade, a cirurgia bariátrica consolidou-se como uma ferramenta eficaz, reduzindo drasticamente a incidência de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Além disso, o fenômeno do paradoxo da obesidade sugere que, em certos contextos de doença estabelecida, indivíduos com sobrepeso podem apresentar prognósticos aparentemente superiores, embora tal observação seja frequentemente mitigada por fatores como a reserva metabólica e a capacidade cardiorrespiratória. O futuro do enfrentamento desta patologia reside na implementação de políticas públicas globais e no desenvolvimento de terapias combinadas que visem a mitigação sistêmica dos danos estruturais ao coração.

