MECANISMOS INFLAMATÓRIOS E DESFECHOS CARDIOVASCULARES NA DEPRESSÃO

Autores

  • Gabriel Mendes Horevicht Laporte Mascarenhas
  • Mara Flávia Mamedio Avallone
  • Vanessa Piazzi de Faria
  • Alessandra Maria de Araújo Mendes Rodrigues
  • Laiza Medeiros dos Anjos
  • Ruan Gabriel Reinaldo
  • Whanny Cristina dos Santos Albuquerque

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p577

Palavras-chave:

Depressão, Ansiedade, Doença cardiovascular, Inflamação, Qualidade de vida

Resumo

A interdependência entre a saúde mental e a estabilidade do sistema cardiovascular representa um dos campos mais férteis e necessários da medicina atual. Historicamente tratadas como esferas independentes, a depressão e as doenças cardiovasculares revelam, com base em evidências clínicas e moleculares robustas, uma simbiose fisiopatológica profunda e de via dupla. A depressão não se configura meramente como uma resposta emocional ao diagnóstico de uma cardiopatia. Ela atua como um fator de risco independente e primário, capaz de acelerar processos ateroscleróticos e aumentar a suscetibilidade a eventos críticos, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral. No centro dessa conexão, emergem mecanismos biológicos complexos que envolvem a inflamação crônica de baixo grau, caracterizada pela elevação de citocinas pró-inflamatórias como a interleucina-6 e o fator de necrose tumoral alfa, além da desregulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal e do desequilíbrio persistente do sistema nervoso autônomo. Essas alterações biológicas resultam em disfunção endotelial, aumento da agregação plaquetária e instabilidade miocárdica. Paralelamente, determinantes comportamentais, como o tabagismo, o sedentarismo e a má adesão aos regimes terapêuticos, amplificam esse cenário de vulnerabilidade. Estudos epidemiológicos demonstram que a abordagem integrada, que une o suporte psicossocial à farmacologia cardiovascular, é capaz de alterar o prognóstico clínico, evidenciando que a remissão dos sintomas depressivos está diretamente correlacionada à redução da mortalidade cardíaca. Diante das estimativas globais que posicionam o transtorno depressivo como o principal contribuinte para a carga de doenças na próxima década, a compreensão detalhada das vias moleculares e sistêmicas que unem estas condições é fundamental. Enquanto a obesidade, o diabetes e a inatividade física agravam ainda esse quadro, intervenções nutricionais e relaxamento guiado são apontadas como ferramentas complementares essenciais. A transição para um modelo de cuidado integral e multidisciplinar é o caminho para otimizar a sobrevida de pacientes que enfrentam esta complexa sobreposição de agravos.

Downloads

Publicado

2026-06-10

Como Citar

Mascarenhas, G. M. H. L. ., Avallone, M. F. M. ., Faria, V. P. de ., Rodrigues, A. M. de A. M. ., Anjos, L. M. dos ., Reinaldo, R. G. ., & Albuquerque, W. C. dos S. . (2026). MECANISMOS INFLAMATÓRIOS E DESFECHOS CARDIOVASCULARES NA DEPRESSÃO. Epitaya E-Books, 1(132), 577-596. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p577

Edição

Seção

Capítulo de Livro

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>