INOVAÇÃO EM DISPOSITIVOS CARDÍACOS E A EVOLUÇÃO NO MANEJO DA ENDOCARDITE INFECCIOSA
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p974Palavras-chave:
Endocardite bacteriana, Infecção, Antibacterianos, Doenças cardiovasculares, Valva mitralResumo
A endocardite se infecciosa apresenta como uma patologia de alta complexidade sistêmica, caracterizada pela colonização microbiana de tecidos endocárdicos e dispositivos cardíacos artificiais. A transição no perfil dos indivíduos acometidos nas últimas décadas sinaliza uma mudança expressiva, onde a redução da prevalência da febre reumática nos países desenvolvidos deu lugar a uma incidência crescente em idosos com processos degenerativos valvares e em portadores de dispositivos intravasculares e intracardíacos. A patogênese dessa condição inicia-se fundamentalmente pela lesão do endotélio cardíaco, que propicia a formação de depósitos de fibrina e plaquetas, culminando em vegetações densas que protegem microrganismos invasores da resposta imunológica do hospedeiro e dificultam a ação de antibióticos. Evidências clínicas robustas demonstram que a acurácia diagnóstica depende da integração criteriosa dos critérios de Duke modificados com tecnologias de imagem avançadas, como a ecocardiografia transesofágica e a tomografia por emissão de pósitrons, especialmente em casos envolvendo próteses valvares ou deiscências paravalvares. O manejo terapêutico atual exige intervenções prolongadas com antibioticoterapia intravenosa e, frequentemente, abordagens cirúrgicas precoces para o tratamento de complicações estruturais graves, como abscessos anulares e perfurações teciduais. Implicações futuras indicam que a formação de equipes multidisciplinares especializadas, integrando cardiologistas, infectologistas e cirurgiões, é determinante para a redução das taxas de mortalidade hospitalar, que ainda permanecem em patamares elevados de aproximadamente 25%. Além disso, o aprimoramento contínuo das técnicas de biologia molecular, como a reação em cadeia da polimerase em tecido valvar, promete refinar a identificação de patógenos exigentes em cenários de hemoculturas negativas. O enfrentamento desta enfermidade demanda uma vigilância rigorosa sobre os novos fatores predisponentes associados ao avanço das intervenções cardiovasculares percutâneas, visando mitigar o impacto econômico e clínico das internações prolongadas. A compreensão aprofundada dos mecanismos de formação de biofilmes e da interação entre o sistema imune e as superfícies protéticas orientará as próximas gerações de protocolos preventivos e terapêuticos, focados na preservação funcional do sistema circulatório e na sobrevida global do paciente.

