AVANÇOS NO TRATAMENTO PERCUTÂNEO E MANEJO CLÍNICO DA INSUFICIÊNCIA TRICÚSPIDE

Autores

  • Airton Akira Yamase
  • Flávia Corrêa de Oliveira Lima
  • Messias Barbosa de Macedo
  • Eduardo Zukeran
  • Felipe Pereira dos Santos
  • Marcelo Monteiro Mota

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p284

Palavras-chave:

Regurgitação da válvula tricúspide, Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, Cateterismo cardíaco, Válvula tricúspide, Insuficiência cardíaca direita

Resumo

A regurgitação da válvula tricúspide (RVT), historicamente rotulada como a "válvula esquecida", configura-se como uma patologia cardiovascular de alta complexidade que, embora frequentemente negligenciada na prática clínica inicial, exerce um impacto prognóstico devastador, particularmente em indivíduos diagnosticados com insuficiência cardíaca em estágios avançados. A progressão desta condição está intrinsecamente ligada à deterioração da função hemodinâmica e à redução drástica da sobrevida. Tradicionalmente, o manejo cirúrgico convencional estabeleceu-se como a principal modalidade de intervenção terapêutica. Porém, essa abordagem é acompanhada por taxas alarmantes de morbimortalidade, especialmente quando aplicada a pacientes que apresentam múltiplas comorbidades e fragilidade sistêmica. Diante desse cenário de alta vulnerabilidade, as intervenções percutâneas surgem como uma fronteira disruptiva e promissora, oferecendo rotas terapêuticas menos invasivas com resultados clínicos que se mostram progressivamente encorajadores na literatura contemporânea. O arsenal tecnológico para o tratamento percutâneo da RVT é diversificado e abrange múltiplas estratégias biomecânicas, incluindo a anuloplastia transcateter, a implementação de dispositivos voltados para a coaptação dos folhetos e o uso de próteses valvares heterotópicas. A determinação da técnica ideal é um processo multifatorial que exige uma análise minuciosa da anatomia valvar, da etiologia subjacente da regurgitação — diferenciando-se entre formas primárias e secundárias —, do nível de dilatação do anel tricúspide e da reserva funcional do ventrículo direito. Entre as inovações de maior destaque, o sistema de clip transcateter, derivado da sólida experiência acumulada na intervenção da válvula mitral, tem demonstrado uma capacidade notável de reduzir o volume regurgitante, promovendo uma melhora substantiva tanto no perfil funcional quanto na percepção de bem-estar dos pacientes. Investigações clínicas recentes corroboram a eficácia dessas tecnologias ao demonstrar benefícios tangíveis nos desfechos clínicos primários, como a redução significativa nas taxas de hospitalização por descompensação da insuficiência cardíaca e a progressão positiva na classificação funcional da New York Heart Association (NYHA). Apesar desses avanços, a área ainda enfrenta desafios críticos que incluem o refinamento dos critérios de seleção de pacientes, a superação da inerente complexidade anatômica do aparelho tricúspide e a necessidade de dados de acompanhamento de longo prazo para validar a durabilidade das intervenções. O desenvolvimento contínuo de dispositivos, aliado a uma consciência clínica crescente sobre a importância da intervenção precoce, impulsiona a consolidação da terapia percutânea como um novo paradigma na cardiologia intervencionista, oferecendo alternativas reais para pacientes outrora considerados inoperáveis.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Yamase, A. A. ., Lima, F. C. de O. ., Macedo, M. B. de ., Zukeran, E. ., Santos, F. P. dos ., & Mota, M. M. . (2026). AVANÇOS NO TRATAMENTO PERCUTÂNEO E MANEJO CLÍNICO DA INSUFICIÊNCIA TRICÚSPIDE. Epitaya E-Books, 1(132), 284-301. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p284

Edição

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