MECANISMOS HEMODINÂMICOS E ESTRATÉGIAS DE PRECISÃO NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DE ALTO DÉBITO

Autores

  • Murilo Pavanello Rodrigues Moraes
  • Alexandre Augusto Paredes Selva
  • Francisco Antonio da Silveira Neto
  • Daniel Rodrigues Lustosa
  • Flávia Corrêa de Oliveira Lima
  • Maria Cristina de Moraes Neves

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p558

Palavras-chave:

Insuficiência cardíaca, Débito cardíaco, Anemia, Hipertireoidismo, Fístula arteriovenosa

Resumo

A insuficiência cardíaca de alto débito (ICAD) configura-se como um fenótipo cardiovascular singular e complexo, caracterizado primordialmente por um estado de hipervolemia sistêmica e um incremento patológico do débito cardíaco (DC). Diferentemente da insuficiência cardíaca convencional (IC de baixo débito), na qual o evento primário é a redução da capacidade de ejeção miocárdica, na ICAD o coração, embora muitas vezes apresente uma função contrátil intrinsecamente preservada, encontra-se incapaz de suprir a demanda metabólica periférica excessiva ou de processar o volume sanguíneo que retorna ao sistema central de forma exacerbada. Este descompasso hemodinâmico resulta em um aumento ineficiente da quantidade de sangue bombeada para a circulação, culminando na falência clínica da bomba em face de resistências vasculares sistêmicas inadequadamente baixas. A etiologia desta condição é marcadamente heterogênea, abrangendo uma vasta gama de gatilhos clínicos que incluem, mas não se limitam a quadros de anemia crônica, tireotoxicose (hipertireoidismo), fístulas arteriovenosas sistêmicas e patologias pulmonares crônicas obstrutivas. Em grande parte dos cenários, a ICAD não se manifesta como uma doença primária do miocárdio, mas sim como uma consequência deletéria de adaptações fisiológicas crônicas que, inicialmente compensatórias para aumentar o débito, evoluem para o comprometimento funcional cardíaco. O quadro clínico é pontuado por sintomas clássicos de congestão, como dispneia, fadiga incapacitante, edema periférico, ganho ponderal súbito e ortopneia. O diagnóstico exige um alto índice de suspeição e baseia-se na integração do histórico clínico, exame físico minucioso, marcadores laboratoriais e ferramentas de imagem, principalmente o ecocardiograma com avaliação Doppler. O gerenciamento terapêutico, por sua vez, deve ser dual: focado na reversão da causa base subjacente e no controle rigoroso da volemia através de diuréticos e modulação hemodinâmica, visando restaurar a eficiência cardiovascular e prevenir a remodelação miocárdica irreversível.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Moraes, M. P. R. ., Selva , A. A. P. ., Silveira Neto, F. A. da ., Lustosa, D. R. ., Lima, F. C. de O. ., & Neves, M. C. de M. . (2026). MECANISMOS HEMODINÂMICOS E ESTRATÉGIAS DE PRECISÃO NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DE ALTO DÉBITO. Epitaya E-Books, 1(132), 558-576. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p558

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