AGONISTAS DO RECEPTOR DE GLP-1 NA SÍNDROME CARDIORRENAL-METABÓLICA: TRATAMENTO DA OBESIDADE E INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Autores

  • Helia Maria Rodrigues Silva
  • André da Cunha Silva
  • Pedro Henrique Leite Borges
  • Carlos Pinto Garcia
  • Jesus Napoleon Chacon
  • Mayara Borges Lourenço de Sousa

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p1154

Palavras-chave:

Agonistas do receptor de GLP-1; Obesidade; Insuficiência cardíaca; Semaglutida; Citocinas pró-inflamatórias

Resumo

A abordagem clínica da insuficiência cardíaca (IC) associada à obesidade passou por uma mudança de paradigma, deixando de ver o excesso de peso como um paradoxo protetor para reconhecê-lo como um fator etiológico ativo da doença. O uso de agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RAs) permite tratar a raiz metabólica da disfunção cardíaca, focando na composição corporal e funcionalidade, especialmente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp). Esses medicamentos atuam em receptores nos cardiomiócitos, endotélio e rins, reduzindo citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF-?) e promovendo natriurese via inibição do trocador NHE3, o que estabiliza a volemia e a função renal. Estruturalmente, os GLP-1 RAs reduzem seletivamente a gordura epicárdica, aliviando a restrição física ao enchimento ventricular e melhorando a função diastólica. As evidências do programa STEP-HFpEF demonstram que a semaglutida 2,4 mg melhora significativamente a qualidade de vida, com um aumento de 16,6 pontos no escore KCCQ-CSS, e a capacidade funcional, com ganho médio de 21,5 metros no teste de caminhada. Enquanto os benefícios são claros na ICFEp, o uso na IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) exige cautela devido ao risco de sarcopenia e à carência de grandes ensaios de desfecho. Na prática, a triagem deve considerar que níveis de NT-proBNP podem estar paradoxalmente baixos em obesos. A administração deve ser gradual para minimizar efeitos gastrointestinais e evitar desidratação, que é perigosa em pacientes que utilizam diuréticos. O manejo deve incluir reabilitação física e suporte nutricional para preservar a massa magra. O futuro da terapia reside na dualidade incretínica com a tirzepatida e na sinergia com inibidores de SGLT2, consolidando uma abordagem cardiorrenal-metabólica.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Silva, H. M. R. ., Silva, A. da C. ., Borges, P. H. L. ., Garcia, C. P. ., Chacon, J. N. ., & Sousa, M. B. L. de . (2026). AGONISTAS DO RECEPTOR DE GLP-1 NA SÍNDROME CARDIORRENAL-METABÓLICA: TRATAMENTO DA OBESIDADE E INSUFICIÊNCIA CARDÍACA. Epitaya E-Books, 1(132), 1154-1168. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p1154

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