MODULAÇÃO NEURO-HORMONAL E TERAPIAS AVANÇADAS NA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA COM FRAÇÃO DE EJEÇÃO REDUZIDA
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p697Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca, Fração de ejeção do ventrículo esquerdo, Cardiomiopatias, Disfunção ventricular esquerda, Terapêutica farmacológicaResumo
A insuficiência cardíaca (IC) é reconhecida como uma síndrome clínica multissistêmica e debilitante, caracterizada fundamentalmente por uma tríade diagnóstica que engloba sintomas típicos, sinais clínicos detectáveis ao exame físico e evidências objetivas de disfunção cardíaca estrutural ou funcional. A taxonomia atual desta síndrome segmenta os pacientes em subtipos distintos, utilizando a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) como o principal aspecto para a tomada de decisão clínica e terapêutica. Quando a FEVE apresenta valores inferiores a 40%, a condição é tecnicamente denominada insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), um fenótipo marcado por uma falência proeminente da capacidade contrátil do miocárdio. Fisiopatologicamente, a ICFEr é definida por uma superativação persistente e deletéria de eixos neuro-hormonais críticos, com destaque para o sistema nervoso simpático (SNS) e o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Embora essa ativação surja inicialmente como uma resposta adaptativa e necessária para manter a pressão de perfusão sistêmica frente à queda do débito cardíaco, ela evolui rapidamente para um estado desadaptativo. Este desequilíbrio resulta em uma retenção patológica de sódio e água, desencadeando uma cascata de consequências hemodinâmicas adversas, aumento das tensões de parede e processos fibróticos que perpetuam a remodelação ventricular mal-adaptativa. O manejo clínico da ICFEr sofreu transformações profundas nas últimas décadas. Se antes o foco consistia quase exclusivamente no uso de diuréticos para o alívio sintomático da congestão, hoje as evidências de grandes ensaios clínicos consolidaram a importância do antagonismo farmacológico desses eixos neuro-hormonais para a redução efetiva da morbidade e da mortalidade. Mais recentemente, a inclusão de agentes inovadores que atuam em vias complementares — como os inibidores do receptor de angiotensina-neprilisina (ARNI) e os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2) — abriu novas fronteiras terapêuticas, permitindo resultados clínicos significativamente superiores na preservação da vida e na qualidade de vida dos pacientes acometidos.

