CRISE HIPERTENSIVA NA EMERGÊNCIA: O QUE ABANDONAR, O QUE MANTER E COMO TRATAR CORRETAMENTE
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1342Palavras-chave:
emergência hipertensiva, hipertensão arterial grave, lesão aguda de órgão-alvo, urgência hipertensiva, emergênciaResumo
A abordagem da pressão arterial muito elevada na emergência continua sendo uma das áreas em que mais se misturam erro conceitual, excesso terapêutico e risco de iatrogenia. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 mantém a importância de reconhecer a hipertensão arterial grave em contexto agudo, mas reforça que a conduta não deve ser guiada apenas pelo valor numérico da pressão. O ponto decisivo é a presença ou ausência de lesão aguda de órgão-alvo, que diferencia a emergência hipertensiva do paciente com elevação importante da pressão sem dano agudo estabelecido. A declaração científica da American Heart Association de 2024 caminhou na mesma direção ao desestimular o uso indiscriminado dos termos “hypertensive urgency” e “hypertensive crisis” em pacientes sem lesão aguda, propondo uma abordagem mais centrada no risco real do doente e menos no susto causado pelo número. Já a ESH 2023 ainda preserva a terminologia tradicional, o que mostra que o médico continuará convivendo com classificações diferentes na literatura recente. Este capítulo discute como interpretar corretamente a pressão arterial muito elevada na emergência, o que precisa ser abandonado na prática cotidiana, o que permanece válido e como conduzir os principais cenários clínicos de forma proporcional, segura e atual.

