DISFUNÇÃO AUTONÔMICA E REPERCUSSÕES CARDIOVASCULARES: DA INSTABILIDADE HEMODINÂMICA À ESTRATIFICAÇÃO CLÍNICA
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1325Palavras-chave:
Disfunção autonômica, Hipotensão ortostática, Neuropatia autonômica cardiovascular, Instabilidade hemodinâmicaResumo
A disfunção autonômica representa um dos territórios mais complexos da medicina cardiovascular, por reunir manifestações clínicas amplas, mecanismos fisiopatológicos heterogêneos e grande potencial de subdiagnóstico. Seu impacto sobre o sistema cardiovascular decorre da perda do equilíbrio entre os componentes simpático e parassimpático, comprometendo o controle da frequência cardíaca, da contratilidade miocárdica, do tônus vascular e da adaptação pressórica às mudanças posturais e aos diferentes estados fisiológicos. Como consequência, o paciente pode apresentar desde intolerância ortostática e síncope até taquicardia inadequada, hipotensão pós-prandial, labilidade pressórica, arritmias, variabilidade anormal da frequência cardíaca e maior vulnerabilidade a eventos cardiovasculares. A relevância clínica do tema se amplia porque a disfunção autonômica pode surgir em diferentes contextos, incluindo diabetes mellitus, doenças neurodegenerativas, amiloidose, neuropatias periféricas, condições autoimunes, síndromes pós-infecciosas e estados inflamatórios crônicos. Em muitos desses cenários, o comprometimento autonômico é inicialmente interpretado como manifestação inespecífica, o que atrasa o reconhecimento do seu peso cardiovascular real. O problema, portanto, não está apenas na presença de sintomas, mas na dificuldade de integrá-los em uma síndrome fisiológica coerente. Do ponto de vista prático, compreender a disfunção autonômica exige mais do que reconhecer hipotensão ortostática ou taquicardia reflexa. Exige entender como a falha do controle autonômico modifica o risco arrítmico, a tolerância ao esforço, a estabilidade hemodinâmica e a qualidade de vida. Este capítulo revisa os principais mecanismos fisiopatológicos, as manifestações cardiovasculares e as estratégias contemporâneas de avaliação clínica da disfunção autonômica, com ênfase em sua aplicabilidade prática na cardiologia.

