CARDIOTOXICIDADE E GESTÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR NO PACIENTE ONCOLÓGICO

Autores

  • Claudina Mendes Horevicht
  • Renê Augusto Gonçalves e Silva
  • Camilla Kelly Pereira
  • Thiago Rabello Santos
  • Murilo Pavanello Rodrigues Moraes
  • Francywagner Silva Vargas

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p210

Palavras-chave:

Doenças cardiovasculares, Neoplasias, Biomarcadores tumorais, Biomarcadores cardiovasculares, Quimioterapia

Resumo

A coexistência entre as doenças cardiovasculares e as neoplasias malignas deixou de ser encarada como uma mera coincidência clínica para se tornar um dos maiores desafios da medicina interna no século atual. Historicamente, essas condições eram tratadas por especialistas em campos isolados, porém, o aumento expressivo da longevidade populacional e o refinamento das intervenções terapêuticas revelaram uma rede intrincada de dependências biológicas e riscos compartilhados. A base dessa relação fundamenta-se em mecanismos moleculares transversais, onde a inflamação crônica sistêmica, o estresse oxidativo e a disfunção endotelial atuam como promotores comuns tanto da aterogênese quanto da carcinogênese. Adicionalmente, o sucesso no controle de diversos tipos de câncer trouxe à tona o fenômeno da cardiotoxicidade induzida pelo tratamento, transformando complicações cardíacas na principal causa de morte em sobreviventes de longo prazo de tumores específicos, como o de mama em mulheres pós-menopáusicas. Diante dessa realidade, a emergência da cardio-oncologia como subespecialidade reflete a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e integrada, capaz de monitorar precocemente lesões miocárdicas por meio de biomarcadores sensíveis e exames de imagem avançados, como o strain longitudinal global. Este cenário exige uma vigilância contínua que ultrapassa o período de tratamento ativo, exigindo o manejo rigoroso de comorbidades clássicas como hipertensão e diabetes, além da exploração de terapias cardioprotetoras promissoras que incluem betabloqueadores, inibidores da enzima conversora de angiotensina e novas classes de antidiabéticos, como os inibidores de SGLT2. A integração desses conhecimentos permite não apenas a redução da morbidade cardiovascular, mas também a otimização da própria terapia oncológica, assegurando que o paciente não sobreviva ao câncer apenas para sucumbir a uma insuficiência cardíaca evitável. O futuro da prática médica nessas áreas depende, portanto, da consolidação de protocolos que unifiquem a prevenção primária e secundária, visando uma melhora substantiva na qualidade de vida e nos resultados clínicos globais de populações vulneráveis a essas patologias interligadas.

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Publicado

2026-06-10

Como Citar

Horevicht, C. M. ., Silva, R. A. G. e ., Pereira, C. K. ., Santos, T. R. ., Moraes, M. P. R. ., & Vargas, F. S. . (2026). CARDIOTOXICIDADE E GESTÃO DO RISCO CARDIOVASCULAR NO PACIENTE ONCOLÓGICO. Epitaya E-Books, 1(132), 210-236. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p210

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