AVANÇOS NO TRATAMENTO DO CHOQUE CARDIOGÊNICO COM DISPOSITIVOS DE SUPORTE CIRCULATÓRIO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.2025936p391Palavras-chave:
Choque Cardiogênico, Assistência Ventricular, Dispositivos de Assistência Circulatória, Insuficiência Cardíaca Avançada, Oxigenação por Membrana ExtracorpóreaResumo
O choque cardiogênico é uma condição clínica grave caracterizada pela falência do ventrículo em manter a perfusão tecidual adequada, com alta mortalidade, mesmo com suporte intensivo. Na era contemporânea, a abordagem do choque cardiogênico evoluiu com a incorporação de dispositivos de suporte circulatório mecânico (SCM), como o balão intra-aórtico (BIA), dispositivos de assistência ventricular percutânea (como o Impella®), oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) e dispositivos de assistência ventricular de longa duração. Essas tecnologias possibilitam suporte hemodinâmico temporário ou prolongado, oferecendo uma ponte para a recuperação miocárdica, transplante cardíaco ou implante definitivo de dispositivo. O manejo do choque cardiogênico exige avaliação clínica e hemodinâmica criteriosa, com utilização de ferramentas como o ecocardiograma e o cateter de artéria pulmonar, além de protocolos padronizados de estratificação e tratamento. A seleção apropriada do tipo de assistência ventricular depende de fatores como etiologia do choque, função biventricular, presença de disfunção respiratória associada e prognóstico global do paciente. A abordagem multidisciplinar é fundamental, envolvendo cardiologistas, intensivistas, cirurgiões cardíacos, perfusionistas e equipe de enfermagem especializada. O conceito de “centros de choque cardiogênico” e o uso de algoritmos baseados em evidências têm contribuído para a melhoria dos desfechos clínicos. Estudos recentes demonstram que a implementação precoce de dispositivos de suporte mecânico, em contextos adequadamente selecionados, pode reduzir a mortalidade e melhorar a função cardíaca residual. No entanto, a decisão terapêutica deve considerar riscos, custos e complicações, como sangramentos, infecções e tromboses. O desenvolvimento de novas tecnologias e a consolidação de registros multicêntricos têm sido fundamentais para refinar as indicações e otimizar o manejo. Assim, na era das assistências ventriculares, o choque cardiogênico deixa de ser uma sentença terminal e passa a ser uma condição potencialmente reversível, desde que diagnosticada e tratada precocemente com estratégias individualizadas e centradas no paciente.

