CARDIOMIOPATIAS INFILTRATIVAS: DESAFIOS DIAGNÓSTICOS E INTEGRAÇÃO MULTIMODAL NA PRÁTICA CARDIOLÓGICA

Autores

  • Claudina Mendes Horevicht
  • Anna Cláudia Cerutti
  • Gisela Correa Lara
  • Margarete de Oliveira Lima
  • Sandro Valerio l Fade
  • Gabriel Mendes Horevicht Laporte Mascarenhas
  • Thiago Rabello Santos
  • Larissa Marques Souza Horevicht

DOI:

https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1312

Palavras-chave:

Cardiomiopatias infiltrativas, Amiloidose cardíaca, Sarcoidose cardíaca, Doença de Fabry, Imagem cardiovascular.

Resumo

As cardiomiopatias infiltrativas correspondem a um grupo heterogêneo de doenças em que substâncias anormais, células inflamatórias ou produtos de depósito se acumulam no miocárdio, produzindo alterações estruturais, funcionais e elétricas que remodelam profundamente a apresentação clínica do paciente. Embora compartilhem o traço comum da infiltração tecidual, essas entidades diferem quanto à biologia da doença, à velocidade de progressão, ao padrão de comprometimento cardíaco e às implicações terapêuticas. Entre as etiologias de maior relevância na prática cardiológica destacam-se a amiloidose cardíaca, a sarcoidose cardíaca, a doença de Fabry e as síndromes de sobrecarga por ferro, todas capazes de produzir fenótipo restritivo, espessamento ventricular não explicado por hipertrofia verdadeira, distúrbios de condução, arritmias e insuficiência cardíaca. O grande desafio clínico reside no fato de que essas doenças raramente se apresentam de forma didática no primeiro contato. Em muitos pacientes, a porta de entrada é um ecocardiograma com paredes espessadas, uma insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, uma fibrilação atrial aparentemente desproporcional, uma hipotensão mal tolerada, um bloqueio de condução ou uma cardiomiopatia rotulada de idiopática. O atraso diagnóstico costuma decorrer menos da ausência de sinais e mais da tendência a absorver o fenótipo infiltrativo em rótulos mais comuns, como cardiopatia hipertensiva, cardiomiopatia hipertrófica ou envelhecimento cardiovascular. Nesse contexto, a imagem cardiovascular assumiu papel decisivo. Ecocardiografia com strain, ressonância magnética cardíaca, medicina nuclear e, em situações selecionadas, PET e biópsia passaram a permitir leitura muito mais refinada do miocárdio infiltrado. Esse avanço mudou a prática clínica porque tornou possível distinguir com mais precisão hipertrofia de infiltração, inflamação ativa de cicatriz, doença de depósito de doença granulomatosa e, sobretudo, direcionar o raciocínio etiológico para terapias efetivamente modificadoras. Este capítulo revisa os principais mecanismos, os desafios diagnósticos e o papel da integração multimodal diante do paciente com cardiomiopatia infiltrativa, com ênfase na aplicabilidade clínica e no raciocínio diferencial frente ao ventrículo espessado, à disfunção diastólica e ao comprometimento miocárdico de causa não esclarecida.

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Publicado

2026-07-02

Como Citar

Horevicht, C. M. ., Cerutti, A. C. ., Lara, G. C. ., Lima, M. de O. ., Fade, S. V. l, Mascarenhas, G. M. H. L. ., Santos, T. R. ., & Horevicht, L. M. S. . (2026). CARDIOMIOPATIAS INFILTRATIVAS: DESAFIOS DIAGNÓSTICOS E INTEGRAÇÃO MULTIMODAL NA PRÁTICA CARDIOLÓGICA. Epitaya E-Books, 1(133), 1312-1318. https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260453p1312

Edição

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