BASES FISIOPATOLÓGICAS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DOS BIOMARCADORES NA HEMATOLOGIA CARDIOVASCULAR
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p657Palavras-chave:
Doenças hematológicas, Anemia, Trombocitopenia, Insuficiência cardíaca, HemoglobinopatiasResumo
O estudo das correlações fisiopatológicas entre o sistema hematológico e a função cardiovascular revela uma interdependência profunda que transcende a visão clássica de especialidades isoladas. A circulação sanguínea não atua apenas como um meio de transporte neutro, mas como um tecido dinâmico cujas alterações celulares e moleculares impactam diretamente a mecânica cardíaca e a integridade vascular. Condições como a anemia reduzem a oferta de oxigênio tecidual, exigindo adaptações hemodinâmicas como o aumento do débito cardíaco, que, em estados crônicos, podem evoluir para remodelamento ventricular e insuficiência de alto débito. Por outro lado, a patologia cardiovascular, como a insuficiência cardíaca e a hipertensão, desencadeia uma cascata inflamatória sistêmica e ativação plaquetária, as quais promovem complicações como trombose venosa e a própria anemia de doença crônica, fechando um ciclo de agressão mútua. Nesse contexto, a largura de distribuição das hemácias (RDW) emerge como um marcador de interesse crescente, pois sua variação reflete não apenas o diagnóstico de anemias, mas também estados de inflamação e estresse oxidativo associados ao prognóstico de eventos coronarianos e doenças cerebrovasculares. A compreensão detalhada dessas vias, incluindo o papel de mutações genéticas em fatores de coagulação e o impacto de depósitos férricos em tecidos miocárdicos, é fundamental para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas integradas. A abordagem multidisciplinar, envolvendo a colaboração entre hematologistas e cardiologistas, torna-se uma necessidade clínica para otimizar os desfechos em pacientes complexos, onde o manejo de um sistema reflete invariavelmente na estabilidade do outro. O avanço nas pesquisas sobre biomarcadores sensíveis e o uso de novas terapias para hemoglobinopatias sinalizam uma transformação na prática clínica, priorizando a estabilização da reologia sanguínea como fundamento para a preservação da saúde cardiovascular global.

