INTEGRAÇÃO DA VELOCIDADE DA ONDA DE PULSO E DA VARIABILIDADE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA NA AVALIAÇÃO DA RIGIDEZ VASCULAR
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p683Palavras-chave:
Velocidade da onda de pulso, Rigidez arterial, Variabilidade da frequência cardíaca, Risco cardiovascular, MetodologiaResumo
A avaliação do risco cardiovascular atravessa uma mudança de paradigma fundamental, transitando dos escores estatísticos tradicionais, frequentemente limitados a variáveis demográficas, para a quantificação direta e personalizada do envelhecimento biológico vascular. Esta nova abordagem fez com que a velocidade da onda de pulso (VOP) e a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) se tornassem bases de uma cardiologia mais abrangente, permitindo uma leitura integrada da integridade mecânica do sistema arterial e da qualidade do sistema nervoso autônomo. Fisiopatologicamente, a rigidez arterial — ou arteriosclerose — decorre de uma transformação estrutural marcada pela fragmentação das fibras de elastina e pela deposição excessiva de colágeno na parede vascular, processo que compromete a função amortecedora (buffering) das grandes artérias. Fisicamente, este estado é regido pela equação de Moens-Korteweg, onde uma parede mais rígida acelera a propagação da onda de pressão, fazendo-a retornar ao coração prematuramente durante a fase final da sístole. Este fenômeno eleva a pressão sistólica central e a pós-carga ventricular, ao mesmo tempo que reduz a perfusão coronária diastólica, criando o substrato ideal para a hipertrofia ventricular esquerda e isquemia miocárdica silenciosa. Evidências clínicas consolidaram a VOP carótido-femoral superior a 10 m/s como um marcador de lesão em órgãos-alvo com valor preditivo superior aos scores convencionais, introduzindo o conceito de envelhecimento vascular precoce (EVA) para identificar precocemente danos estruturais avançados. Estudos demonstram que a sinergia entre uma VOP elevada e uma VFC reduzida potencializa drasticamente o risco de morte súbita e eventos coronários, refletindo um estado de predominância simpática e deterioração cardiovascular acelerada. No horizonte prático e futuro, a integração da Inteligência Artificial e do Machine Learning permite extrair fenótipos vasculares complexos a partir de sinais simples de fotopletismografia em smartphones e wearables. A transição para uma monitoração contínua e invisível promete transformar a cardiologia em uma área preditiva e preventiva, onde a integridade vascular é preservada através de intervenções personalizadas em tempo real.

