FISIOPATOLOGIA VASCULAR E CRITÉRIOS DE DECISÃO CLÍNICA NO IDOSO
DOI:
https://doi.org/10.47879/ed.ep.20260415p495Palavras-chave:
Doenças cardiovasculares, Idoso, Envelhecimento, Fragilidade, PolifarmáciaResumo
O cenário global de envelhecimento populacional impõe uma revisão profunda das práticas em cardiologia, uma vez que a doença cardiovascular permanece como o principal fator de morbimortalidade em indivíduos com idade avançada. O processo de senescência não se limita ao passar dos anos, mas engloba um conjunto de alterações biológicas profundas, como a perda da função endotelial, a redução da biodisponibilidade de óxido nítrico e o aumento progressivo da rigidez arterial decorrente da substituição de fibras elásticas por colágeno. Essas modificações estruturais estabelecem a base para o desenvolvimento de condições como a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, a fibrilação atrial e a estenose aórtica degenerativa, que exigem um olhar clínico que vá além da doença isolada. A evidência clínica demonstra que o manejo desses pacientes é dificultado pela presença da síndrome geriátrica, caracterizada pela fragilidade e pela redução da reserva funcional de múltiplos órgãos, o que altera significativamente a farmacocinética e a farmacodinâmica dos tratamentos convencionais. O uso de polifarmácia e o risco elevado de interações medicamentosas exigem estratégias de desprescrição e uma análise criteriosa da relação entre risco e benefício em procedimentos invasivos. Estudos recentes reforçam a superioridade de abordagens individualizadas, como o uso de anticoagulantes orais diretos e a estratificação de risco por ferramentas que considerem a fragilidade, como a Escala de Fragilidade Clínica associada ao escore GRACE. O futuro do cuidado cardiovascular no idoso reside na transição para um modelo de assistência multidisciplinar e colaborativo, focado na manutenção da funcionalidade e na qualidade de vida, integrando cardiologistas, geriatras e equipes de reabilitação para reduzir a síndrome pós-hospitalar e promover uma longevidade saudável e independente.

